Dar visibilidade às violências contra as mulheres — e transformar dados em ações concretas de cuidado e prevenção — é o eixo do trabalho Violência contra a mulher: prevalências, fatores associados e impacto na saúde, desenvolvido pela professora do Departamento de Enfermagem (campus de Maruípe) Franciele Marabotti. A iniciativa, que conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), integra a série Ufes por Elas: iniciativas que transformam vidas de mulheres capixabas, que destaca projetos da Universidade voltados à promoção da equidade de gênero.
Desde 2013, a pesquisadora coordena o Laboratório de Pesquisa sobre Violências, Saúde e Acidentes (Lavisa/Ufes), onde desenvolve estudos sobre as prevalências de violências praticadas por parceiro íntimo (VPI) contra mulheres e os fatores associados a essas ocorrências, além dos impactos físicos e mentais na saúde feminina. As investigações começaram com usuárias do sistema de saúde e, ao longo dos anos, ganharam amplitude.
Em 2022, uma pesquisa de base populacional mapeou as violências vivenciadas por mulheres residentes em Vitória. Já em 2024, os estudos passaram a analisar a associação entre as agressões sofridas e adversidades na infância, aprofundando a compreensão sobre como essas experiências repercutem na saúde física, mental e na qualidade de vida.
Ao todo, cerca de duas mil mulheres do município participaram das pesquisas. Para a professora, o principal benefício do trabalho é a informação qualificada. “Promover a visibilidade das violências, um grave problema de saúde pública, é uma responsabilidade da Universidade. Até então, não conhecíamos as prevalências de violência por parceiro íntimo contra mulheres em Vitória”, destaca ela, afirmando que os dados têm impacto coletivo e subsidiam serviços de saúde, educação e segurança pública.
Marabotti afirma que o conhecimento produzido na Ufes não se restringe ao meio acadêmico, já que os resultados podem orientar o atendimento nos serviços de saúde, fortalecendo ações de prevenção e cuidado às vítimas, além de contribuir para a formulação de políticas públicas e para o aprimoramento da rede de proteção.
Formação profissional
As pesquisas também impulsionaram ações de formação profissional. Um dos desdobramentos foi a criação do curso de especialização em Prevenção às Violências, Promoção da Saúde e Cuidado Integral na Ufes. Na primeira turma, 242 estudantes foram formados. A segunda edição, iniciada em outubro de 2025, reúne 219 matriculados. A qualificação desses profissionais é apontada pela professora como estratégica para fortalecer o enfrentamento às violências e aprimorar a rede de cuidado.
Para os próximos anos, a meta é ampliar as ações de extensão voltadas à formação profissional e aprofundar os estudos sobre os impactos das violências vivenciadas na infância e na vida adulta sobre a saúde das mulheres.
As informações geradas pelos projetos de pesquisa, ensino e extensão podem ser acessadas no site do Lavisa e no perfil @lavisaufes no Instagram. ampliando o alcance do conhecimento produzido na Universidade.
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Fotos: Associação Mulheres pela Paz e Lavisa/Ufes
Universidade Federal do Espírito Santo