Ufes por Elas: Projeto Fordan abre série especial do mês dedicado às mulheres

04/03/2026 - 16:19  •  Atualizado 09/03/2026 17:17
Texto: Adriana Damasceno     Edição: Thereza Marinho
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Grupo de mulheres unindo as mãos e olhando para cima

Março é um período de reflexão e mobilização em defesa dos direitos das mulheres. Celebrado em 8 de março, o Dia Internacional da Mulher remonta às lutas femininas por melhores condições de trabalho, igualdade política e reconhecimento social, consolidando-se como uma data simbólica de reivindicação e valorização das trajetórias femininas. Nesse contexto, o portal da Ufes estreia a série especial Ufes por Elas: iniciativas que transformam vidas de mulheres capixabas, dedicada a dar mais visibilidade a ações, pesquisas e projetos da Universidade voltados à promoção da equidade de gênero.

Abrindo a série, o destaque é o programa de extensão e pesquisa Fordan: Cultura no Enfrentamento às Violências. Com uma trajetória que alcança 21 anos em 2026, a iniciativa constrói pontes entre universidade e comunidade para proteger vidas e fortalecer redes de apoio. 

Criado em 2005 pela professora do Centro de Educação Física e Desportos (CEFD/Ufes) Rosely Pires, o Fordan surgiu do entendimento de que a violência contra mulheres e grupos vulnerabilizados exige respostas que vão além da denúncia formal. “O maior legado do Fordan é manter o recorde de zero assassinato de mulheres acolhidas, mostrando que é possível salvar a vida de mulheres, principalmente as negras e periférias, que representam 70% dos feminicídios no Brasil”, destaca Pires.

A atuação do programa é sustentada também por forte atuação acadêmica. Um estudo de 2023 coordenado por Pires identificou relação direta entre a negativa de medidas protetivas e a morte de mulheres negras. No Espírito Santo, 85% das vítimas de feminicídio eram negras moradoras da periferia. Esse cenário impulsionou a criação do aplicativo Fordan/Ufes, tecnologia social desenvolvida por pesquisadoras e pesquisadores, estudantes e pelas próprias mulheres acolhidas, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes).

Atualmente, o Fordan realiza cerca de 200 atendimentos por mês, abrangendo assistência jurídica, cuidados de saúde e suporte psicossocial. Esta metodologia de preservação da vida ganhou projeção nacional em congresso realizado em São Paulo, em homenagem a Maria da Penha. Além disso, Pires recebeu o Diploma Mulher-Cidadã Carlota Pereira de Queirós, concedido pela Câmara dos Deputados em reconhecimento ao impacto do Fordan na defesa dos direitos humanos.

Atuação nacional

Em novo ciclo de ações, o Fordan avança na elaboração de protocolos científicos e institucionais, fruto de debates iniciados no seminário internacional que originou o boletim Fordan 20 anos: Pesquisa e Intervenção para a Garantia da Vida das Mulheres. O programa estruturou Grupos de Trabalho (GTs) para formular fluxos de denúncia e acompanhar a responsabilização de agressores. Entre eles, o GT Nacional reúne universidades, defensorias e secretarias de educação para construir uma proposta de ouvidoria feminina nas instituições de ensino. “Este documento toma como base a experiência premiada da Ufop [Universidade Federal de Ouro Preto] e considera a interseccionalidade em relação ao racismo e à homofobia”, explica a coordenadora. A iniciativa já motivou pedido de audiência pública na Câmara Federal.

Equipe do Fordan posando para foto em frente à sede do bairro São Pedro
Sede no bairro São Pedro, em Vitória

A ramificação desses grupos alcança também a educação básica e os movimentos sociais. O GT Fordan/Gerência de Educação de Jovens e Adultos, da Secretaria da Educação (Geeja/Sedu), por exemplo, implementou fluxos de acolhimento e encaminhamento de denúncias em escolas-piloto de Terra Vermelha e Iracema, enquanto os GTs Sindicato, Futebol Feminino e Movimento de Mulheres atuam na construção de canais internos de denúncia.

No ano passado, o programa inaugurou uma sede comunitária na região de São Pedro, em Vitória, ampliando o acolhimento. O Fordan também ocupou espaços estratégicos dentro da própria Ufes, como nos Restaurantes Universitários (RUs), onde a campanha Novembro Azul: Respeito e Autocuidado dialogou com quase seis mil pessoas sobre saúde e educação antipatriarcal. “Criamos o GT Homem, envolvendo parceiros na luta pela vida de mulheres. Agora, preparamos uma cartilha voltada a homens que frequentam espaços religiosos e centros de referência”, pontua Pires.

Essa união de esforços dentro da Universidade é apontada pela coordenadora como um saldo positivo. Segundo ela, parcerias com a Pró-Reitoria de Políticas Afirmativas e Assistência Estudantil (Propaes) e com a Superintendência de Infraestrutura (SI), além de docentes que lideram diversos projetos direcionados às mulheres, têm fortalecido o acolhimento a estudantes vítimas de violência “de forma extraordinária”.

Ao longo deste mês, a série Ufes por Elas apresentará outras iniciativas que, como o Fordan, reafirmam o compromisso da Universidade com a vida e a dignidade das mulheres.

Serviço: 
Fordan: Cultura no Enfrentamento às Violências
Endereço: Centro de Educação Física e Desportos (CEFD), campus de Goiabeiras da Ufes, e Avenida Quatro de Setembro, 187, São Pedro, Vitória
Contatos: fordanufes@hotmail.com ou @fordanufes (Instagram)


Fotos: Fordan/Ufes

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