Projeto de extensão divulga patrimônio geológico do único museu de história natural do ES

Com o objetivo de difundir o conhecimento científico e o ensino da Geologia e da Geodiversidade do estado, o projeto de extensão Descrição petrográfica das rochas ígneas e metamórficas (da região sul capixaba) expostas no Museu de História Natural do sul do Espírito Santo (Muses) atua no museu vinculado ao Centro de Ciências Exatas, Naturais e da Saúde (CCENS) da Ufes. Localizado em Jerônimo Monteiro, o Muses é o único museu de história natural do estado e contempla um catálogo de rochas, incluindo aquelas utilizadas como produtos das rochas ornamentais oriundas da região sul capixaba e de diversas partes do mundo.

Nesta semana em que se comemora o Dia Internacional dos Museus (18 de maio), o projeto, um dos 26 finalistas da edição de 2020 do Prêmio de Mérito Extensionista Maria Filina, é o selecionado para a série de reportagens que apresenta as ações extensionistas registradas no Portal de Projetos da Pró-Reitoria de Extensão (Proex). A cada quinta-feira, o portal da Ufes divulga uma nova iniciativa. Veja, abaixo, todas as reportagens já publicadas.

O Espírito Santo é o maior produtor nacional de rochas ornamentais e as ações do projeto de extensão atuam na criação de um catálogo dessas rochas, contendo descrição macroscópica e microscópica das peças. As amostras geradas pelo projeto são utilizadas nas disciplinas de Mineralogia II, Petrologia Magmática e Petrologia Metamórfica do curso de Geologia da Ufes, no campus de Alegre. “Este trabalho auxilia os estudantes de graduação tanto nos aspectos de descrição de rochas quanto no aspecto da evolução geológica da região de Jerônimo Monteiro, além de proporcionar aos visitantes do Muses conhecimentos sobre recursos minerais de rochas ornamentais”, afirma o professor do Departamento de Geologia Rodson Marques, que coordena o projeto.

A ação é vinculada ao projeto de pesquisa Contribuição petrológica dos orógenos Araçuaí e Ribeira, que estuda rochas neoproterozoicas e analisa os processos orogênicos durante o período neoproterozoico, responsável pelas cadeias de montanhas que moldam o relevo do sul do Espírito Santo. “Estas informações também são imprescindíveis para os estudos e para a valorização do patrimônio geológico capixaba”, lembra Marques.

Acessibilidade

Vinte pessoas integram a equipe do projeto, incluindo professores, técnicos-administrativos e estudantes da Ufes e de outras instituições de ensino. Os trabalhos executados envolvem descrições detalhadas das amostras macroscópicas e de lâminas delgadas; confecção de fotoatlas baseado nas imagens das amostras; e divulgação do patrimônio geológico.

O projeto promove, ainda, acessibilidade e inclusão das Geociências, por meio do uso do alfabeto Braille e da Língua Brasileira de Sinais (Libras). “Temos maquetes acessíveis a pessoas cegas e com baixa visão, como vulcão texturizado, estrutura interna da Terra e dinossauros. Desenvolvemos, também, metodologia para a contextualização de Libras aplicada às Geociências, com vídeos reproduzidos em um totem”, lembra Marques.

As atividades são desenvolvidas no CCENS, que dispõe de um Laboratório de Preparação de Amostras (LPA), no qual são confeccionadas as lâminas petrográficas; um Laboratório de Macroscopia, que, por possuir iluminação adequada e mini-estúdio permite que sejam realizadas fotografias das amostras de mão; e um Laboratório de Microscopia Petrográfica, com 20 microscópios de luz polarizada transmitida, adequados para as análises e fotografias das lâminas delgadas.

Muses

O Muses, órgão complementar da Ufes e um dos principais centros de desenvolvimento de projetos extensionistas para divulgação científica da região sul do estado, iniciou suas atividades em março de 2013. O espaço, único desta categoria em todo o Espírito Santo, conta com coleções permanentes e itinerantes das áreas de geologia, paleontologia, parasitologia, invertebrados, vertebrados, biologia marinha e botânica.

Além de rochas coletadas em lugares do sul do estado, o catálogo que compõe o acervo do museu tem peças oriundas de países como Antártida, África do Sul, Nova Zelândia e Costa Rica. “Essas rochas foram coletadas por nós mesmos. O professor Caio Turbay trouxe as da Antártida; as da África do Sul, Costa Rica e Nova Zelândia eu mesmo coletei”, diz Marques.

O museu agrega diversos eventos, programas, oficinas e projetos que visam difundir a história da biodiversidade e da geodiversidade capixaba. O projeto de extensão coordenado pelo professor Marques realiza atividades no Muses desde 2017, dentre as quais estão visitas guiadas por monitores bolsistas e voluntários; eventos científicos para divulgação do material da Geologia, como a Semana Estadual de Ciência e Tecnologia; e ações externas, como a participação na Semana Nacional de Museus.

“Em tempos de covid-19, temos utilizado as mídias sociais para divulgação das atividades, contribuindo para o engajamento da divulgação científica para a população em tempos de pandemia”, diz Marques. Aqui é possível ter acesso a uma coletânea de links para acesso ao conteúdo digital do Muses, além de suas redes sociais.

Impacto

Segundo o coordenador, o projeto teve impacto na formação dos estudantes, que se qualificaram e foram treinados para atuarem como monitores, além de terem se aprimorado, durante a pandemia, na utilização de mídias sociais para promover a educomunicação, visando à redução da transmissibilidade da covid-19. Outros resultados do projeto são a produção de publicações com temáticas que envolvem metodologias e didáticas de ensino, estratégias de comunicação pedagógica com portadores de deficiência e difusão do conhecimento científico à população, com o comprometimento à inclusão social, à interiorização e à responsabilidade social.

O projeto contou com a parceria da Prefeitura de Jerônimo Monteiro, o que contribuiu no acompanhamento estratégico do desenvolvimento da cidade. Segundo Marques, as metodologias aplicadas, como a oficina Hidrogeologia, água com Ciência, sensibilizaram as populações ribeirinhas a respeito da preservação ambiental, utilização consciente dos recursos hídricos da região e implementação de fossas sépticas.

Marques avalia que o projeto de extensão Descrição petrográfica das rochas ígneas e metamórficas (da região sul capixaba) expostas no Museu de História Natural do sul do Espírito Santo (Muses), assim como todos os outros do Muses, é um exemplo de que a associação das atividades de extensão com o ensino e a pesquisa é relevante para a vida acadêmica e social do estudante e para o aprendizado de crianças e jovens do ensino básico ao médio. “É necessário que se dê continuidade a projetos de divulgação científica, vinculando a interdisciplinaridade e a transversalidade em universidades e em todas as instituições de ensino”, frisa.

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Texto: Adriana Damasceno
Imagens: Divulgação do projeto
Edição: Thereza Marinho

 

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