A Ufes realizará, no próximo dia 30, o seminário de atualização do Projeto de Enfrentamento ao Oropouche e outras Arboviroses no Espírito Santo, que tem como objetivo apresentar os avanços e as ações em andamento no âmbito da iniciativa. A programação terá início às 13h30, no auditório do Complexo Ambulatorial Multirreferenciado, localizado no campus de Maruípe. O evento é gratuito e pessoas interessadas em participar podem se inscrever por meio deste link.
Participarão do seminário o reitor da Ufes, Eustáquio de Castro, e os secretários estaduais da Saúde, Tyago Hoffmann, e da Agricultura, Enio Bergoli.
Segundo o coordenador-geral do projeto e professor do Departamento de Patologia da Ufes, Daniel Gomes, também vinculado ao Núcleo de Doenças Infecciosas (NDI/Ufes), o projeto surgiu de uma trajetória consolidada de pesquisa na área de doenças infecciosas e, diante do surgimento dos primeiros casos de oropouche no estado, a solução foi ampliar o olhar, integrando estudos sobre resposta imune, epidemiologia, dinâmica de transmissão e desenvolvimento de soluções, como vacinas e repelentes.
“O grupo já vinha atuando na investigação dos mecanismos imunológicos envolvidos em doenças tropicais, o que permitiu uma resposta rápida diante do surgimento das primeiras ocorrências. Com o aumento expressivo de casos, tornou-se evidente a necessidade de direcionar esforços para compreender melhor essa nova realidade”, afirma.
A formalização da parceria entre a Ufes e o Governo do Estado com o lançamento oficial do projeto para proteger a população capixaba da febre de oropouche aconteceu em maio de 2025.
Avanços
O professor ainda explica que o projeto foi delineado para ser desenvolvido no período de 2025 a 2028 e estruturado em cinco frentes de atuação interdependentes. Essas frentes foram idealizadas de forma integrada, permitindo abordar desde aspectos fundamentais da biologia do vírus até a aplicação prática das descobertas na formulação de políticas públicas.
“Os resultados obtidos até março de 2026 refletem avanços importantes no primeiro ano de execução. Um deles é a caracterização do perfil patológico da doença, cujos achados já têm contribuído para orientar a condução clínica dos pacientes. Também houve progresso significativo na compreensão da dinâmica de transmissão, incluindo a identificação de vetores envolvidos no ciclo da doença”, destaca.
Na área de genômica, foram realizados avanços na caracterização do vírus, com a identificação de possíveis mutações associadas à gravidade dos casos. Essas descobertas, explica o professor, vêm sendo exploradas em colaboração com instituições parceiras para o desenvolvimento de estratégias vacinais.
Paralelamente, o projeto tem avançado no desenvolvimento de repelentes específicos contra o maruim, com foco em aplicações em áreas rurais e regiões ligadas ao setor agropecuário, que têm sido impactadas tanto pela infecção quanto pela alta densidade dos insetos.
O Projeto de Enfrentamento ao Oropouche e outras Arboviroses no Espírito Santo é fomentado pelo Governo do Estado em parceria com a Ufes, e tem colaboração da professora do Departamento de Ciências Farmacêuticas Mariana Pinheiro, que desenvolve novas estratégias de repelência; da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que por meio de sua plataforma de vacinas contribui para iniciativas voltadas à prevenção da doença; e do pesquisador do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) Jose Salazar Junior, que atua nos estudos entomológicos e na análise da distribuição espacial da doença em áreas agrícolas.
Universidade Federal do Espírito Santo