Pesquisa investiga saúde cardiovascular de policiais e identifica fatores associados à hipertensão

07/07/2026 - 18:19  •  Atualizado 07/07/2026 19:01
Texto: Adriana Damasceno     Edição: Thereza Marinho
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Foto de integrantes da Companhia de Choque do Batalhão de Missões Especiais segurando escudos

Dormir pouco pode representar um risco importante para a saúde cardiovascular, mesmo entre policiais de elite fisicamente ativos. Essa é uma das conclusões de uma pesquisa da Ufes que observou hipertensão arterial em 53,2% dos participantes da amostra composta por integrantes da Companhia de Choque do Batalhão de Missões Especiais (BME) da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES). O estudo mostrou que, apesar de apresentarem elevados níveis de atividade física, os militares com pressão alta dormiam menos, acumulavam mais gordura corporal e registravam maior frequência de consumo de álcool e tabagismo do que os colegas sem hipertensão.

O estudo foi conduzido pelo mestrando e cabo do BME Renalt Gonçalves, com a colaboração do doutorando Geanderson Oliveira (cabo da PMES) e dos integrantes do Grupo de Estudos em Fisiologia Translacional Aplicada à Saúde, ao Esporte e ao Desempenho Humano, coordenado pelo professor Danilo Bocalini, que também orientou o desenvolvimento do trabalho no Programa de Pós-Graduação em Educação Física (PPGEF/Ufes). A pesquisa analisou indicadores cardiovasculares, antropométricos e comportamentais de 47 policiais militares e revelou que, entre todas as variáveis analisadas, a qualidade e a duração do sono apresentaram uma das associações mais expressivas com os níveis de pressão arterial. Os policiais hipertensos dormiam em média 6,2 horas por noite, enquanto os demais participantes registravam cerca de 7,7 horas de sono.

Os resultados também indicaram que parte dos casos observados no estudo ainda não havia sido diagnosticada, já que nenhum dos policiais identificados com a doença possuía diagnóstico prévio ou fazia uso de medicamentos para controlar a doença. Mesmo entre militares com elevada prática de atividade física, os pesquisadores observaram que os hipertensos apresentavam piores indicadores cardiovasculares e de composição corporal em comparação aos colegas sem hipertensão.

De acordo com Gonçalves, a prática de atividade física não apresentou diferença entre os grupos avaliados. Já o sono insuficiente esteve associado a níveis mais elevados de pressão arterial, sugerindo que intervenções voltadas à melhoria dos hábitos de sono podem ajudar na prevenção e no controle da hipertensão entre esses profissionais. 

Segundo Bocalini, os resultados encontrados nessa amostra apresentavam valores diferentes daqueles relatados em estudos com outras corporações militares brasileiras, como os realizados com integrantes da Força Aérea Brasileira (FAB) e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), do Rio de Janeiro, reforçando a necessidade de monitoramento contínuo da saúde cardiovascular desses profissionais. 

Gordura corporal

A pesquisa identificou, ainda, que os militares hipertensos apresentavam maiores valores de percentual de gordura corporal, massa gorda e indicadores de adiposidade abdominal, fatores reconhecidamente associados ao aumento do risco cardiovascular. Além do índice de massa corporal (IMC), os pesquisadores analisaram medidas relacionadas ao acúmulo de gordura na região abdominal, considerado um importante indicador de risco para doenças cardiovasculares, especialmente em populações com elevada massa muscular, como militares e policiais. O consumo de bebidas alcoólicas foi relatado por 68% dos integrantes do grupo hipertenso, contra 22% dos normotensos. O tabagismo também foi observado exclusivamente entre os policiais com hipertensão.

A pesquisa de Gonçalves integra as atividades do Grupo de Estudos em Fisiologia Translacional Aplicada à Saúde, Esporte e Desempenho Humano, vinculado ao Laboratório de Fisiologia e Bioquímica Experimental. O estudo dá continuidade a uma linha de investigação dedicada a compreender como as exigências da atividade policial afetam a saúde e o desempenho operacional dos agentes.

Foto: Renalt Gonçalves

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