Ufes vai sediar Centro de Informação Estratégica em Saúde do Rio Doce. Objetivo é fortalecer vigilância em saúde em 11 municípios

06/07/2026 - 16:42  •  Atualizado 08/07/2026 17:32
Texto: Adriana Damasceno     Edição: Thereza Marinho
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Imagem das mãos de um médico digitando no teclado de um computador

A Ufes e a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AGSUS) assinaram, na última sexta-feira, dia 3, em Colatina (norte do estado), um termo de cooperação técnica para a criação do Centro de Informação Estratégica em Saúde do Rio Doce. A iniciativa integra o Programa Especial de Saúde do Rio Doce (PES Rio Doce) e tem como objetivo fortalecer as ações de vigilância em saúde nos municípios capixabas atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão, em 2015, por meio da produção e da integração de informações estratégicas que orientem decisões e políticas públicas voltadas à proteção da saúde da população.

Participaram da assinatura o reitor da Ufes, Eustáquio de Castro; a coordenadora do projeto Centro de Informação e Dados Estratégicos para a Vigilância, Assistência e Resiliência do SUS nos Municípios Impactados da Bacia do Rio Doce (Cies - Rio Doce) e do Laboratório de Epidemiologia da Ufes, Ethel Maciel; e o diretor de operações da AGSUS, Williames Pimentel, além de representantes do Ministério da Saúde, gestores municipais e autoridades da região. 

Segundo Ethel Maciel, embora o acordo tenha sido firmado agora, a proposta começou a ser construída logo após o rompimento da barragem, quando pesquisadores da Ufes elaboraram um projeto para acompanhar os possíveis impactos do desastre sobre a saúde das populações atingidas. A iniciativa, no entanto, não foi implementada naquele momento. Com o Novo Acordo do Rio Doce, a Universidade modificou a proposta, transformando-a em projeto de extensão, em seguida apresentando-a ao Ministério da Saúde.

Capacitar os municípios

O Centro será sediado na Ufes, que coordenará uma rede de apoio às vigilâncias em saúde dos 11 municípios capixabas atingidos pelo desastre: Baixo Guandu, Colatina, Linhares, Marilândia, Pancas, São Domingos do Norte, Aracruz, Ibiraçu, João Neiva, Rio Bananal e Sooretama. A pesquisadora explica que intenção é equipar, apoiar e capacitar as secretarias municipais de Saúde para fortalecer as vigilâncias municipais e sedimentar uma cultura de vigilância popular, a partir da qual os munícipes poderão também exercer a vigilância em saúde. 

Além de apoiar as secretarias municipais de Saúde, o Centro integrará informações produzidas por diferentes projetos já desenvolvidos pela Ufes nas áreas de saúde humana e saúde animal, monitoramento ambiental, estudos com populações indígenas e análises toxicológicas.  A proposta é integrar essas informações e construir, em diálogo com as comunidades atingidas, estratégias de acompanhamento e vigilância em saúde que considerem as demandas e especificidades de cada território, permitindo uma análise mais abrangente dos fatores que podem influenciar a saúde da população. 

Entre as ações previstas está também o acompanhamento epidemiológico de longo prazo das populações atingidas. A partir da análise dos sistemas de informação em saúde, pesquisadores poderão monitorar a ocorrência de doenças ao longo dos anos, identificar possíveis alterações no perfil epidemiológico da região e produzir evidências capazes de orientar políticas públicas e ações de vigilância.

Ethel Maciel explica ainda que, até o momento, os estudos foram realizados de forma pontual, e que o acordo atual permite fazer um acompanhamento de longo prazo, consolidando um monitoramento contínuo da saúde da população atingida.

Imagem: Magnific

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