Ufes leva pesquisa, ciência e conservação a evento comemorativo dos 65 anos do Parque Nacional do Caparaó 

21/05/2026 - 16:56  •  Atualizado 21/05/2026 17:38
Texto: Adriana Damasceno     Edição: Thereza Marinho
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Cartaz de divulgação do evento

No próximo final de semana, dias 23 e 24, o Parque Nacional do Caparaó (Parna Caparaó) comemorará seus 65 anos com uma programação especial em Pedra Menina (Espírito Santo) e Alto Caparaó (Minas Gerais), respectivamente. Intitulado Vida longa, Caparaó, o encontro terá entre os destaques o painel Conversa Afiada – Ciência no Caparaó, com a participação dos professores da Ufes Paulo Fortes, aposentado do Departamento de Geologia, e Carolina Ferreira, vinculada ao Departamento de Ciências Biológicas, ambos do campus de Alegre. Os docentes apresentarão suas pesquisas em Pedra Menina, das 14h30 às 16h30, e abordarão temas como geodiversidade, avifauna e conservação ambiental.

As palestras integram o ciclo de diálogos científicos promovido pelo parque, que reunirá pesquisadores, gestores ambientais, representantes do poder público, artistas e moradores da região ao longo de dois dias de atividades gratuitas voltadas à ciência, à conservação ambiental e à valorização cultural de um dos principais patrimônios naturais do Sudeste brasileiro.

Geodiversidade

Fortes ministrará a palestra Geodiversidade do Parque Nacional do Caparaó, abordando a formação geológica e a evolução do relevo que compõem as paisagens da unidade de conservação. A relação do professor com o Caparaó começou com atividades de campo da disciplina de Geodiversidade, ofertada entre 2017 e 2018, voltadas à identificação de locais com potencial geoturístico, que resultaram na coleta de rochas e na produção de materiais educativos para os centros de visitantes.

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Foto do pico do Caparaó
Pico da Bandeira

Entre 2019 e 2021, Fortes também coordenou o projeto de pesquisa Geoconservação e Geoturismo no Sul do ES. “O estudo da geodiversidade do Caparaó aponta a possibilidade de criação de um geoparque na região, que é uma área reconhecida pela Unesco [Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura] que combina a preservação de patrimônio geológico de importância internacional com o desenvolvimento socioeconômico sustentável, educação e valorização cultural”, destaca ele, ressaltando que a unidade de conservação abriga as rochas mais antigas do estado, com cerca de 2,2 bilhões de anos.

Para ele, compartilhar esse conhecimento com a população é uma forma de aproximar a sociedade das geociências e fortalecer ações de preservação: “As informações sobre a geodiversidade podem contribuir para a sensibilização da comunidade quanto à importância da proteção e conservação de sítios geológicos”. 

Biodiversidade

Especialista em Ornitologia, a professora Carolina Ferreira desenvolveu projetos com avifauna na Unidade de Conservação entre 2010 e 2014, período no qual identificou e registrou 348 espécies de aves, das quais 98 são endêmicas de Mata Atlântica (aquelas encontradas somente no bioma Mata Atlântica) e 33 ameaçadas de extinção.

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Cartaz de divulgação das palestras

“O Parna Caparaó abriga 32% das espécies de aves registradas no Espírito Santo e 27% das aves registradas em Minas Gerais. Além disso, possui 31% das espécies de aves endêmicas e 10% das espécies de aves ameaçadas do bioma Mata Atlântica”, ressalta.

Diante desses dados, a professora apresentará a palestra Aves do Parque Nacional do Caparaó, abordando a diversidade de espécies que habitam a unidade de conservação e a importância das áreas de altitude para a preservação da avifauna da Mata Atlântica, uma vez que, durante as pesquisas, ela observou maior ocorrência de espécies de aves nas altitudes intermediárias do parque, caracterizadas pela presença de cobertura florestal.

Para Ferreira, o parque desempenha papel fundamental na conservação da avifauna desse bioma, especialmente no que se refere à proteção de espécies endêmicas e ameaçadas: “O Parna Caparaó é um fragmento muito grande, com quase 32 mil hectares, com um mosaico de fitofisionomias vegetais de Mata Atlântica e um amplo gradiente altitudinal, que contribui para a manutenção da biodiversidade local. Conhecer a avifauna do parque fornece subsídios para que a unidade atue com ações de preservação dos ambientes dentro do parque e elabore planos de manejo que contribuam para a conservação da avifauna local”.

Criado em 1961, o Parque Nacional do Caparaó abriga importantes remanescentes de Mata Atlântica e é conhecido nacionalmente por concentrar o Pico da Bandeira, com 2.892 metros de altitude.
 

Foto do Pico da Bandeira: acervo do professor Paulo Fortes

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