Projeto da Ufes oferece tratamento gratuito com neuromodulação para mulheres que sofrem com enxaqueca menstrual

02/04/2026 - 17:30  •  Atualizado 02/04/2026 17:32
Texto: Tatiana Moura     Edição: Thereza Marinho
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Imagem de uma mulher com a mão na cabeça em frente ao computador

O projeto de extensão Neuromodulação Ufes para Todos, vinculado ao Grupo de Estudo e Pesquisa em Neurorreabilitação e Neuromodulação (GEPENN), está ofertando 12 vagas para que mulheres que sofrem com enxaqueca menstrual tenham acesso a um tratamento com neuromodulação não invasiva. Os atendimentos começarão a partir da segunda semana de abril e serão realizados na Clínica Escola da Ufes, localizada no campus de Maruípe. Pessoas interessadas em participar devem realizar a inscrição gratuita neste link.

Após a inscrição, as pacientes serão contatadas para a primeira avaliação e passarão por um processo de triagem. Para participar, é preciso ter entre 18 e 65 anos, ter enxaqueca menstrual há pelo menos seis meses e disponibilidade para ir até a Clínica Escola da Ufes. Serão cinco sessões de neuromodulação, sendo um encontro por semana durante cinco semanas, além de um dia para avaliação e outro para reavaliação.

A pesquisa é coordenada pela professora do Departamento de Educação Integrada em Saúde Fernanda Moura e conduzida pelas estudantes do curso de Fisioterapia Layza Julhia do Nascimento e Vitória Caroline Reinoso. Serão aplicadas duas técnicas de Neuromodulação Não Invasiva, sendo elas a Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua e a Estimulação Transcutânea do Nervo Vago, com o objetivo de investigar a associação dos métodos de neuromodulação para reduzir a dor, impacto na funcionalidade e melhora do sono de mulheres com enxaqueca menstrual.  

Autonomia e qualidade de vida

A professora explica que o tratamento permite autoconhecimento, manejo da dor e o conhecimento de possíveis influências hormonais que são causadas pelo período menstrual. “Entender e tratar a condição faz muita diferença, não somente para aliviar a dor, mas para recuperar autonomia e a qualidade de vida. A neuromodulação, especificamente, tem demonstrado resultados esperançosos e promissores na redução da dor”, afirma.

Ela ainda completa que a enxaqueca menstrual pode afetar a rotina, sobretudo quando as crises são mais intensas e de difícil controle, já que a dor vem acompanhada de outros agravantes, como a sensibilidade a luz, sons ou cheiros, além de náuseas e vômitos.

“São condições que dificultam a concentração, a execução das atividades de estudo e trabalho, a prática de exercício físico, o sono e a realização de tarefas domésticas. Ademais, as crises podem impactar na vida social e familiar da mulher, interferindo diretamente no planejamento pessoal de compromissos. Também pode gerar irritação e ansiedade, além de constante cansaço, levando ao desgaste não somente físico, mas também mental”, explica.

Segundo a professora, independente do ambiente, por vezes, questões relacionadas ao ciclo menstrual são minimizadas e, no caso da enxaqueca menstrual, não é diferente. “O relato de quem sente a dor de cabeça no período menstrual, por muitas vezes é desvalorizado e descredibilizado, não sendo levado em consideração que a dor pode causar perda de produtividade, diminuir o rendimento e impactar diretamente no ambiente de trabalho ou estudo. Esse estigma pode dificultar a busca de ajuda, adiando o diagnóstico, tratamento mais adequado e levando a automedicação constante”, alerta.

Imagem: Freepik

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