"Teve tosse por mais de três semanas? Fique atento e procure a unidade de saúde mais próxima, pois pode ser tuberculose". O alerta é da professora do Departamento de Enfermagem Carolina Sales. Nesta terça-feira, 24, ela e outros integrantes do projeto de extensão Laboratório de Epidemiologia: integração ensino-serviço, juntamente com profissionais da Secretaria de Saúde de Vila Velha, realizarão uma ação em alusão ao Dia Mundial de Combate à Tuberculose (celebrado em 24 de março), nos terminais de Vila Velha e Itaparica, em Vila Velha, das 13h30 às 16h30.
Esta será a primeira vez em que o projeto realizará uma conscientização sobre a doença em terminais rodoviários. “Embora a Ufes realize extensões frequentes, levar essa temática específica para o fluxo intenso dos terminais de Vila Velha é uma estratégia para atingir este público que, muitas vezes, não tem tempo de procurar o serviço de saúde para prevenção”, afirma a professora.
O foco do trabalho será a conscientização direta com as passageiras e passageiros, com distribuição de materiais informativos e orientações verbais sobre sintomas da doença, formas de transmissão e, principalmente, sobre como prevenir a doença. “O resultado principal é a desmistificação da doença. Queremos que as pessoas saibam identificar os sinais precocemente e percam o medo ou o preconceito de buscar o tratamento, que é gratuito e eficaz, quando realizado de forma completo, pelo Sistema Único de Saúde (SUS)", explica.
Desinformação
De acordo com Sales, muitos acreditam que a tuberculose é uma "doença do passado", e este estigma, somado ao preconceito, impede o diagnóstico precoce. Assim, a pessoa infectada continua transmitindo a enfermidade para outras que estão próximas.
“Diagnóstico e tratamento precoce é a forma mais eficaz de prevenir novos casos na comunidade. Uma pessoa com tuberculose ativa, sem tratamento, pode infectar de 10 a 15 pessoas por ano. A vacina Bacilo Calmette-Guérin (BCG) é a principal forma de prevenção nas crianças. Ela não evita a infecção em si, mas protege contra as formas mais graves da doença, como a tuberculose miliares e a meníngea”, orienta.
A professora informa que, após cerca de 15 dias de tratamento correto, a doença deixa de ser transmitida. Por isso, garantir a adesão ao tratamento, que dura no mínimo seis meses, é uma medida de saúde coletiva. Em alguns casos, utiliza-se o Tratamento Preventivo da Infecção Latente da Tuberculose (ILTB), no qual pessoas infectadas que ainda não desenvolveram a doença tomam medicação para evitar que ela se manifeste no futuro.
A bactéria que causa a doença, a mycobacterium tuberculosis (bacilo de Koch), é sensível à luz solar e se propaga com facilidade em locais fechados. Assim, manter os ambientes arejados para permitir a circulação de ar é uma medida simples, mas muito importante para a prevenção.
Foto: Arquivo GVBus
Universidade Federal do Espírito Santo