Estudantes de Arquitetura apresentam propostas de uso para os armazéns do IBC

Em evento virtual que aconteceu na manhã desta segunda-feira, 21, nove grupos de estudantes da disciplina Projetos de Arquitetura VI, do curso de Arquitetura e Urbanismo da Ufes, apresentaram resultados de estudos e projetos arquitetônicos propostos para oferecer novos usos para o espaço ocupado atualmente pelos armazéns do antigo Instituto Brasileiro do Café (IBC), localizados no bairro de Jardim da Penha, em Vitória.

Participaram do debate os coordenadores da disciplina, Kleber Frizzera e Rogério Almenara, e professores do curso, como Martha Campos, Roberto Simões, Daniella Bonato e André Abe (aposentado). Estudantes, moradores do bairro e representantes de instituições privadas, como a professora Viviane Pimentel, também estiveram presentes no encontro virtual.

As propostas foram desenvolvidas como atividade da disciplina, que tem como um dos objetivos criar projetos de arquitetura de caráter público em escala urbana, capazes de contribuir com a qualificação e a ressignificação de espaços metropolitanos. “Neste semestre remoto e diante do debate público sobre a ocupação dos antigos armazéns do IBC, esta foi a questão central discutida no período”, explica o professor Frizzera. A área onde estão os antigos armazéns do IBC comportam 12 galpões em um espaço de 33 mil metros quadrados.

Os estudantes realizaram entrevistas com especialistas da Ufes e do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), e com profissionais do mercado imobiliário e da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), além de conversarem com membros da associação de moradores. Durante os trabalhos, os grupos também acompanharam manifestações na imprensa e nas redes sociais para buscar entender os interesses, os entendimentos e as disputas que estão por trás de uma eventual (re)ocupação dos edifícios e da área urbana remanescente.

Propostas

Segundo Frizzera, cada um dos nove grupos teve autonomia para desenvolver suas propostas de uso do espaço, apresentando resultados diferentes que refletem visões e vontades particulares. Denominado Projeto Núcleo, o grupo 1 foi formado por Luisa Franklin, Milena Frauches e Natacha Christ, que propuseram manter uma parte do galpão, criar habitação com diferentes tipologias, desenvolver um complexo comercial e de serviços, e valorizar espaços verdes e livres.

O grupo 2, Projeto Tetris, foi formado por Cecília Simões, Gustavo Lima e Samuel Gervásio. A intenção dos estudantes foi conectar as pessoas à natureza, apresentando um projeto com arborização diversificada, água e terraço, incentivando a permanência no local.

Permear foi o nome dado ao grupo 3, formado por Gabriela Rigo, Julia Saiter e Natália Afonso. As estudantes buscaram oferecer um espaço acessível à comunidade, transformando galpões em espaços de convivência abertos, com praça multiuso, atividades culturais e bares e restaurantes para maior movimento noturno

Bruna Dutra, Milena Gonçalves e Singrid Rumos formaram o grupo 4, intitulado (Re) Criar. A ideia da equipe foi criar um espaço de pertencimento, promovendo a interação dos usuários e a conexão de pessoas e lugares, gerando harmonia entre o natural e a criação humana.

O Projeto Casa Café, elaborado pelo grupo 5, teve como objetivo criar condições adequadas de uso para os moradores do bairro e atrair usuários para as atividades democráticas, inclusivas e acessíveis. O grupo foi formado por Evelyn Rodrigues, João Victor Rodrigues e Rosany de Paiva.

As estudantes Cecília Torezani, Joicy Araújo e Maria Luísa Barbosa formaram o grupo 6, IBC Cultural. O projeto elaborado pela equipe apresentou espaços culturais, esportivos, educacionais e de produção tecnológica, além da criação de unidades habitacionais e comércios.

O Projeto Super Quadra Jardim foi o nome dado ao grupo 7 por Ana Clara Pessoa, Júlia Valli e Iasmin Secco. As estudantes tiveram como objetivo criar espaços de permanência, serviços, lazer, educação, trabalho e moradias.

Andreas Amutenya, Diego Jami e Ygor Steiner formam o grupo 8, que desenvolveu um conceito baseado em quatro diretrizes: preservar, expandir, criar e preservar.

Já o Centro de Cidadania Integrada foi a proposta do grupo 9, formado por Ana Catarina Campagnaro e Ramon Gomes. O projeto propôs ampliar o sistema de transporte coletivo público, potencializar a caminhabilidade e fortalecer o comércio da região com serviços diurnos e noturnos.

Memória

Presente no debate, a professora da Ufes Martha Campos integra o núcleo capixaba do BrCidades que, junto com o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), está entre as 16 entidades e grupos da sociedade civil organizada que solicitaram o tombamento dos armazéns do IBC no Conselho Estadual de Cultura (CEC) da Secult, em novembro deste ano. Para ela, a iniciativa dos professores Frizzera e Almenara deveria ser expandida para outras escolas de Arquitetura, assim como para outros setores da sociedade, dada a importância do tema, que trata de uma área pública em disputa com vários agentes sociais, com interesses diferentes.

“Trata-se de um bem público de enorme valor afetivo e constituinte da memória da paisagem da cidade, da região e, sobretudo, dos moradores do bairro. Aquele espaço deve ser protegido e, ao mesmo tempo, reinserido na dinâmica da capital com novos usos, permitindo outras sociabilidades. Entendo que o destino dos galpões do IBC deve ser includente, de uso para toda a população capixaba”, analisa a professora.

Após agradecer o convite para participar do debate, a professora Viviane Pimentel considerou muito importante que a discussão sobre os armazéns do IBC siga para a universidade e que que os estudantes participem do processo: “Achei muito interessante essa metodologia de propiciar uma aproximação com a associação de moradores, mercado imobiliário e setores da academia. Alguns alunos conseguiram ocupar essa área sem desconsiderar as preexistências, apresentando projetos contemporâneos que mostraram que tombamento não é congelamento, que essa diversidade de usos é desejável e possível”.

Durante sua fala, o professor Roberto Simões ponderou que é importante considerar outras leituras do espaço. “Por exemplo, como está a questão da negritude nesses espaços? Como vamos trazer para dentro de Jardim da Penha o debate do antirracismo?”, analisou ele, chamando a atenção, também, para a discussão acerca da epistemologia das mulheres: “Existiria alguma forma de a arquitetura discutir esses temas? Como trazer os excluídos também para o café?”

Os projetos desenvolvidos durante a disciplina podem ser visualizados no link https://cutt.ly/3hBJKIQ, onde estão disponíveis as apresentações feitas pelos estudantes.

 

Texto: Adriana Damasceno
Imagem: Divulgação Conab
Edição: Thereza Marinho

 

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