A partir de 3 de novembro, o Banco de Fontes Negras da Ufes será o eixo de uma programação especial organizada pela Secretaria de Comunicação (Secom/Ufes) para o Mês da Consciência Negra. A cada semana, integrantes do Banco e suas pesquisas ganharão espaço no Portal da Ufes, na Revista Universidade e na Rádio Ufes FM 87.1. Já no perfil do Instagram da Universidade, será publicado um vídeo sobre a criação do Banco e sua importância para a valorização de pesquisadoras e pesquisadores negras e negros.
A proposta é mostrar que a Consciência Negra também passa pelo reconhecimento de pessoas pretas e pardas como produtoras de conhecimento e referências em suas áreas. Além de discutir o racismo e as desigualdades raciais, a programação dará visibilidade a pesquisas de diferentes campos científicos, contribuindo para enfrentar a histórica sub-representação de pessoas negras nos espaços de produção e divulgação do conhecimento.
Reflexão
Celebrado em 20 de novembro, o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra é feriado nacional e marca a data da morte de Zumbi dos Palmares, uma das principais lideranças da resistência à escravização no Brasil colonial. A data é dedicada à valorização da história e da cultura afro-brasileira e à reflexão sobre o racismo e as desigualdades raciais.
Para o movimento negro, porém, a Consciência Negra vai além de uma data comemorativa, já que o conceito envolve reconhecer e valorizar as diferenças sem estabelecer hierarquias, compreender o enfrentamento do racismo como responsabilidade de toda a sociedade e construir condições para que as próximas gerações vivam com menos discriminação e desigualdade.
Idealizadora do Banco de Fontes Negras da Ufes e coordenadora da ação da Secom, a jornalista Adriana Damasceno destaca que a ferramenta se soma a outras iniciativas da Universidade de promoção da igualdade racial, como as políticas de cotas na graduação e na pós-graduação; a criação da Secretaria de Ações Afirmativas e Diversidade (Saad); e a recente aprovação da ampliação das cotas raciais nos concursos para docentes, além de projetos de ensino, pesquisa e extensão voltados ao enfrentamento do racismo.
Série
No escopo de ações da Secom para o Mês da Consciência Negra, a série Isso também é Consciência Negra! será publicada no Portal da Ufes, partindo de questões do cotidiano para mostrar como as relações raciais estão presentes em situações que nem sempre associamos ao tema. A primeira reportagem trata dos padrões de beleza e de seus efeitos sobre a população negra. A professora Pollyana Moreira e a pesquisadora Dyone Arruda ajudam a compreender como as referências sociais e culturais influenciam a maneira como enxergamos e valorizamos diferentes corpos e características físicas.
A segunda aborda as desigualdades raciais na saúde, do adoecimento e acesso ao atendimento à formação dos profissionais e às experiências de pessoas negras na área. O tema será explorado a partir das pesquisas e experiências de Thiago Conceição, Murilo Costa e Ricardo Eustáquio da Silva. Na terceira, Victor de Jesus, Wesley Correa e Winnie Pereira relacionam clima, território e desigualdade racial para mostrar como o lugar onde vivemos influencia nossa exposição aos riscos ambientais e as possibilidades de proteção. A última reúne Aisha Jureswski e Marluce Lopes para explorar como a escola e as histórias apresentadas às crianças influenciam a maneira como elas enxergam a si mesmas e imaginam seu futuro.
Pesquisas
A programação também dará espaço a pesquisas que não tratam diretamente das relações raciais, mas são desenvolvidas por especialistas negros de diferentes áreas. Na Rádio Ufes FM, José Nilton da Silva falará sobre os efeitos do ruído das rodovias sobre aves da Mata Atlântica; Jorge Luiz do Nascimento explorará as relações entre rap, poesia e literatura; Andressa Oliveira tratará das desigualdades digitais entre adolescentes da escola pública; e Jucilene Basilio mostrará o que construções como “vou estar fazendo” revelam sobre a variação e as transformações da língua portuguesa.
Na Revista Universidade, Rafaela Cazaroto apresentará uma pesquisa sobre recipientes biodegradáveis na produção de mudas de café conilon; Racire Silva abordará as relações entre alimentação materna e composição do leite humano; Rafael Ferreira falará sobre as características do mel de abelhas sem ferrão; e Jader Rocha explicará o uso da estimulação transcraniana associada à caminhada em pessoas com Parkinson.
No Instagram da Ufes, um vídeo institucional vai contar a história da criação do Banco de Fontes Negras, iniciativa que inspirou a programação. Com a participação de Adriana Damasceno e Patrícia Rufino, a produção apresentará as motivações do projeto, seu significado para os integrantes e sua contribuição para ampliar a presença de especialistas negros nas produções da Ufes e da imprensa.
Banco de Fontes Negras
Desenvolvido pela Secom, com apoio da Superintendência de Tecnologia da Informação (STI), o Banco de Fontes Negras da Ufes reúne pesquisadoras e pesquisadores negras e negros vinculados à Universidade, de diferentes áreas de atuação. A plataforma permite encontrar especialistas por tema de interesse.
O cadastramento permanece aberto durante todo o ano e pessoas negras vinculadas à Ufes podem se inscrever com o e-mail institucional (@ufes.br ou @edu.ufes.br).
Imagem: Magnific
Universidade Federal do Espírito Santo