Um dos maiores nomes do cinema autoral norte-americano, Gus Van Sant volta às telonas com o filme Refém Por Um Fio, que estreia nesta quinta-feira, 27, no Cine Metrópolis. Diretor de Gênio Indomável (1997), Van Sant conta, no novo longa, a história real de um famoso sequestro ocorrido nos Estados Unidos em 1977. Além de Refém Por Um Fio, o Metrópolis estreia a comédia Muito Prazer, de Jorge Furtado, e o documentário Nem Tudo É Paz e Amor, de Betão Aguiar.
Em Refém Por Um Fio, Gus Van Sant segue a história de Tony Kiritsis, um jovem trabalhador que, ao ser enganado por um corretor imobiliário rico e famoso, decide sequestrar seu filho e o manter acorrentado a uma escopeta. Durante mais de 60 horas, o caso paralisou os Estados Unidos enquanto milhões de pessoas acompanharam ao vivo uma negociação cada vez mais imprevisível.
Já Muito Prazer, do brasileiro Jorge Furtado, acompanha Rubem (Daniel de Oliveira), um motorista de aplicativo, que herdou um estabelecimento de seu tio: o motel Pérola, tão antigo que ele pensava até estar abandonado. Ao chegar no local, Rubem descobre que lá dentro vive Grace (Luisa Arraes), uma ex-funcionária. Determinados a reabrir, eles percebem que o motel já não tem mais a mesma fama, e, para sair do vermelho, Nalva (Samantha Jones) tem um plano ousado: vender vídeos feitos por câmeras escondidas nos quartos dos clientes.
A terceira estreia da semana é o documentário Nem Tudo É Paz e Amor, de Betão Aguiar, filho de Paulinho Boca de Cantor, membro dos Novos Baianos. Entre imagens de arquivo da banda, o filme explora memórias pessoais e a herança cultural do Brasil dos anos 1970 a partir de depoimentos de nomes como Moreno Veloso, Nara Gil, Sarah Sheeva, Beto Lee e Anelis Assumpção, filhos de artistas que viveram fora dos dogmas e padrões sociais vigentes, tendo a cultura hippie como balizadora.
Além das estreias, segue em cartaz o documentário Anistia 79, de Anita Leandro.
Projeto de extensão
Na próxima quarta-feira, 2 de setembro, o Cine Metrópolis exibe uma sessão do filme Alemanha, Ano Zero, de Roberto Rossellini, dentro da programação do projeto de extensão Uma História do Cinema no Cine Metrópolis. O longa integra o novo módulo da iniciativa, Imagens da Infância, que neste semestre se dedica às histórias que têm crianças como protagonistas.
Lançado em 1948, Alemanha, Ano Zero retrata um garoto de uma família muito pobre que trabalha para sustentar o pai doente, sua pequena irmã e o irmão. Um dia, ao conversar com um antigo professor, ele fala do seu pai enfermo e entende ter recebido um conselho para matá-lo. A sessão acontecerá a partir das 13 horas, com entrada gratuita e aberta ao público geral. Além da exibição do filme, haverá uma apresentação prévia da obra e, após a sessão, um debate com a plateia, mediado pelo professor do Departamento de Comunicação Social da Ufes Fabio Camarneiro. Haverá emissão de certificados para as pessoas interessadas.
Confira as sinopses dos filmes em cartaz no Cine Metrópolis de 27 de agosto a 2 de setembro:
Refém Por Um Fio, de Gus Van Sant (Estados Unidos, 2026)
Em 1977, um empresário arruinado invade o escritório de uma companhia hipotecária e faz um executivo refém usando uma espingarda ligada ao próprio pescoço por um mecanismo que dispara caso ele seja morto. Inspirado em um caso real que paralisou os Estados Unidos, o filme acompanha horas de tensão, negociações e a crescente atenção da imprensa sobre um dos sequestros mais incomuns da história.
Muito Prazer, de Jorge Furtado (Brasil, 2026)
Rubem, um motorista de aplicativo sem perspectivas, recebe uma herança inesperada: o Motel Pérola, que logo descobre ser um prédio em ruínas. Lá ele conhece Grace, ex-funcionária que ficou morando numa das suítes quando o motel fechou. Sem conseguir vender o imóvel e atolados em dívidas, Grace e Rubem se unem para reativar o motel. Quase de brincadeira, com a ajuda de Nalva, que sabe tudo de internet, eles começam a gravar seus clientes e, para fazer algum dinheiro extra, a vender os vídeos, com identidades protegidas, para sites eróticos. O esquema se torna rapidamente lucrativo e, como era de se esperar, perigoso.
Nem Tudo É Paz e Amor, de Betão Aguiar (Brasil, 2026)
Os filhos da contracultura refletem sobre a criação que receberam de seus pais. Psicodelia, drogas, sexo e resistência contra a ditadura se misturam a fraldas, papinhas e trabalhos escolares. A partir de um ponto de vista privilegiado, eles observaram a beleza, as rupturas e as contradições de uma liberdade sem fim. Dirigido por Betão Aguiar, filho do “novo baiano” Paulinho Boca de Cantor, o filme evoca o espírito da época e pergunta: o que é necessário para atravessar os traumas e as maravilhas de crescer no caos revolucionário da contracultura?
Anistia 79, de Anita Leandro (Brasil, 2026)
Em junho de 1979, centenas de exilados e militantes pela anistia no Brasil chegam em Roma, provenientes de vários países. É preciso uma intervenção efetiva no processo de abertura política, pois a ditadura militar não quer libertar os presos políticos e articula, nas sombras, a extensão do benefício da anistia aos torturadores. Um jovem exilado filma o evento e guarda os negativos num porão. Mostrado aos participantes da Conferência de Roma, quase 50 anos depois, este material nos coloca diante de uma evidência histórica: no Brasil, o passado ainda não passou.
Veja os horários das sessões na página do Cine Metrópolis.
Universidade Federal do Espírito Santo