Livro apresenta as políticas públicas de combate à pobreza na China, em meio a décadas de crescimento econômico

30/03/2026 - 17:07  •  Atualizado 30/03/2026 18:56
Texto: Leandro Reis     Edição: Thereza Marinho
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Capa do livro

O professor Rogério Faleiros, vinculado ao Departamento de Economia e ao Programa de Pós-Graduação em Política Social (PPGPS) da Ufes, acaba de lançar o livro China: política social, desenvolvimento econômico e contradições contemporâneas, fruto de sua pesquisa de pós-doutorado, realizada após três temporadas nas universidades Lingnan University (Hong Kong) e Southwest University (Chongqing). O estudo aborda o papel das políticas públicas de combate à pobreza na China, em meio a décadas de crescimento econômico.

O livro, atualmente à venda no site da Editora Hucitec, será lançado presencialmente na Ufes no dia 27 de abril, a partir das 9 horas, no Auditório Manoel Vereza, localizado no Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE). Na ocasião, haverá uma roda de conversa com o autor.

Destinado ao público geral, o livro de Faleiros perpassa não só o campo da economia, mas da história, das ciências sociais e do serviço social. Segundo o professor, a China tem atraído especialistas de diversas áreas do conhecimento, principalmente após sua ascensão econômica a partir da Revolução Chinesa de 1949 e das reformas dos finais da década de 1970. 

Foto do professor Rogério Faleiros
Rogério Faleiros

“Busquei uma área de intersecção entre a política social e o desenvolvimento econômico sob um regime socialista, e os arranjos realizados no sentido de combate à pobreza, visto que eles retiraram da pobreza absoluta (segundo critérios do Banco Mundial) mais de 800 milhões de pessoas nos últimos 40 anos”, afirma ele.

Em linhas gerais, a conclusão do estudo de Faleiros aponta para a importância das políticas de transferência de renda no país - chamado de Programa Dibao - para combater a pobreza absoluta. No entanto, o mecanismo convive com outros programas sociais e, principalmente, com o crescimento econômico da China, sendo também responsáveis por melhorar a vida da população.

“Esta é uma questão importante para países como o Brasil, visto que já estamos há décadas com taxas de crescimento muito baixas. Destaco também o avanço industrial e tecnológico chinês nos últimos três Planos Quinquenais, o que é fruto do exercício de sua soberania e da participação do Estado na economia, tanto no nível da alocação de recursos quanto no nível dos mecanismos de financiamento”, aponta o professor.

Estudo de campo 

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Foto do livro aberto, onde é possível ver algumas fotos

Para realizar a pesquisa, o professor esteve na China entre os anos de 2011 e 2023, totalizando cinco meses. A estadia contou com auxílio do Programa Institucional de Internacionalização da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (PrInt-Capes), via PPGPS.

Durante a pesquisa, Faleiros visitou desde regiões rurais remotas, nas províncias de Sichuan, Shaanxi e Henan, a centros econômicos, como Xangai e Pequim. No livro, o professor também aborda o cotidiano chinês, marcado, segundo ele, por contradições entre “os valores de uma sociedade organizada pelo Partido Comunista e um padrão de consumo cada vez mais ocidentalizado”. 

“O ato de consumir não é ‘neutro’, mas carrega em si determinada visão de mundo, determinados ‘valores’, construindo símbolos de diferenciação social e gerando tensões no nível da cultura e do imaginário”, argumenta.

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