Estudantes da Ufes abrem nesta segunda-feira, 18, às 18 horas, a exposição TRANSocupação, composta por trabalhos em diversas linguagens. A mostra, que surge como um manifesto contra a transfobia e em favor da celebração dos modos de existir da comunidade LGBT+, poderá ser visitada gratuitamente na Galeria DADA, localizada no Cemuni II (campus de Goiabeiras), de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas.
Estudante de Artes Visuais e um dos artistas expositores, Nicolas Lis explica que a exposição é uma resposta a “escritos transfóbicos” feitos na porta de um dos banheiros do Cemuni II (que não são separados por gênero), além de mensagens de ódio publicadas em uma rede social, direcionadas a estudantes do Centro de Artes. A partir da mobilização dos alunos e alunas junto ao Diretório Acadêmico de Artes, os artistas abriram inscrições para reunir suas obras na galeria, com curadoria dos professores Yiftah Peled e Hernani Mendes, do Departamento de Artes Plásticas.
“Não era uma premissa que os artistas expusessem obras com o tema da transgeneridade, mas fica nítido, quando você observa o todo, como essa vivência atravessa a arte de cada um de nós”, afirma Lis. “A maioria das obras se encontra nisso, na luta contra a transfobia e na transformação e ocupação do espaço acadêmico.”
Direito
TRANSocupação fica em cartaz até 12 de junho e apresenta pinturas, esculturas, colagens, desenhos e obras híbridas produzidas por 20 estudantes de diversos Centros de Ensino da Universidade. Para Lis, que participa da mostra com uma escultura, a iniciativa é fundamental para “que um dia não seja mais necessário debatermos direitos simples, como o de usar um banheiro”.
“Hoje lutamos para que as pessoas tenham direitos básicos garantidos. Precisamos fazer um movimento, marcar presença e realizar eventos. Não vamos esperar até que nossos poucos direitos sejam extintos novamente”, diz.
Para o professor Yiftah Peled, a mobilização dos artistas é uma forma de afirmarem seu lugar no mundo. “Um dos desafios da arte é colocar em pauta questões urgentes para a sociedade, e uma delas é a incapacidade e o medo de aceitar o que não está dentro da bolha social das pessoas. Ou seja, as intolerâncias e os fascismos que provocam violências verbais e físicas”, afirma o professor.
Na Ufes, o direito de utilizar banheiros e vestiários conforme a identidade de gênero é assegurado pela Resolução nº 23/2022, aprovada em outubro de 2022.
Universidade Federal do Espírito Santo