O comitê criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para o reconhecimento da erradicação da esquistossomose integrou à sua equipe o pesquisador Carlos Graeff, professor do Departamento de Patologia da Ufes. O Schistosomiasis Expert Review Group (Grupo Internacional de Especialistas para Revisão da Eliminação da Esquistossomose, em tradução livre) avaliará se os países que solicitam a certificação cumprem os critérios técnicos estabelecidos pela OMS.
A criação do grupo faz parte da estratégia da OMS para eliminar a esquistossomose como problema de saúde pública até 2030. Apesar dos avanços registrados nas últimas décadas, a doença ainda afeta milhões de pessoas em diferentes partes do mundo e permanece endêmica em diversos países, entre eles o Brasil.
O grupo reúne 18 especialistas de diferentes regiões do mundo com experiência em áreas como parasitologia, epidemiologia, saúde pública, diagnóstico, vigilância e pesquisa operacional. Durante o processo de avaliação, os integrantes analisarão os relatórios encaminhados pelos países, verificarão se os critérios definidos pela OMS foram cumpridos e, quando necessário, participarão de missões para confirmar as informações apresentadas. Com base nesse conjunto de evidências, o comitê emitirá pareceres técnicos que subsidiarão a decisão da organização sobre o reconhecimento da eliminação da esquistossomose.
Evidências
Segundo Graeff, o papel do grupo é assegurar que esse processo seja conduzido com base em critérios científicos. O pesquisador afirma que o reconhecimento da eliminação de uma doença exige evidências consistentes de que a transmissão foi interrompida ou reduzida aos níveis definidos pela OMS.
Além de subsidiar as decisões da OMS sobre os pedidos apresentados pelos países, o grupo poderá recomendar medidas para fortalecer a vigilância epidemiológica, reduzir o risco de reintrodução da doença em locais onde ela já foi controlada e aperfeiçoar os critérios técnicos utilizados pela organização.
A primeira reunião do comitê está prevista para o dia 31 de julho, em formato virtual. O encontro marcará o início das atividades do grupo, quando serão definidos os procedimentos de trabalho e iniciada a análise das solicitações já encaminhadas pelos países.
Esquistossomose
A esquistossomose é uma doença parasitária transmitida pelo contato com água doce contaminada por larvas liberadas por caramujos infectados. Embora tenha tratamento, pode provocar complicações graves quando não é diagnosticada precocemente. A prevenção depende principalmente da ampliação do acesso ao saneamento básico e à água de qualidade, além do controle dos caramujos que participam do ciclo de transmissão.
Segundo dados da OMS, cerca de 253,7 milhões de pessoas necessitavam de tratamento preventivo contra a doença em 2024. Entre as metas estabelecidas pela organização está eliminar a esquistossomose como problema de saúde pública nos países em que ela ainda é endêmica e interromper sua transmissão em parte deles até 2030.
Imagem: Magnific
Universidade Federal do Espírito Santo