Professores e estudantes de Medicina lançam plataforma digital sobre hanseníase

Professores e estudantes do curso de Medicina da Ufes lançam nesta segunda-feira, 10, a plataforma digital Informa Hanseníase. O objetivo é reunir informações sobre o tema e melhorar a qualidade de vida das pessoas diagnosticadas com a doença. 

A live de lançamento da plataforma, com a presença de especialistas da área, será realizada às 19 horas, com transmissão pelo canal do Movimento pela Reintegração das Pessoas Afetadas pela Hanseníase (Morhan) no YouTube (/MorhanComunicação) e pelo Facebook da entidade (/Morhan.Nacional/).

Na plataforma, acessível no endereço https://www.infohansen.org/, serão disponibilizadas informações atualizadas sobre a hanseníase, suas causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção. Nela, também serão divulgadas pesquisas desenvolvidas no país e no exterior sobre a doença, projetos de pesquisas, artigos científicos e divulgações de eventos científicos e acadêmicos, além de um canal aberto para a comunidade em geral tirar dúvidas, receber materiais informativos e enviar sugestões.

“A principal motivação para a realização do projeto se deu em razão de que não havia, até então, plataformas totalmente brasileiras de informação e conscientização que visassem compartilhar informações e incluir a comunidade de forma tão ampla. Assim, o objetivo de difundir conhecimento acessível, sobretudo no Brasil, que é um país endêmico em hanseníase, reside no fato de que ainda há pouco material acessível para a população sobre a doença, o que permite o estigma”, esclarece a estudante do curso de Medicina da Ufes e uma das responsáveis pelo projeto Maria Clara Caetano.

A plataforma vai disseminar informações de forma objetiva e direta, com uma linguagem acessível, sobretudo para a comunidade extra-acadêmica. “Dessa forma, vamos fornecer conteúdos de qualidade e de fácil entendimento, transmitindo uma informação sólida, capaz de amparar as pessoas afetadas pela hanseníase, bem como atingir a sociedade em geral”, enfatiza Maria Clara Caetano.

Conteúdo

A rede também vai disponibilizar diversas publicações, como capítulos do livro Hanseníase na Prática Clínica, ensaios, comunicações, entrevistas, espaço para publicação de imagens, exibição virtual, quadro de eventos e um espaço destinado à comunidade. Por meio do site, o projeto abordará, além da divulgação de aspectos científicos, aspectos da doença e de sua história sociopolítica no Brasil e no mundo.

O conteúdo será publicado em quatro idiomas: português, inglês, francês e espanhol. “Estamos formando parcerias com países endêmicos em hanseníase, que possuem um desses idiomas como língua oficial, para que haja maior difusão do conhecimento. O Informa Hanseníase surge como uma proposta inovadora no Brasil de disseminação ampla e acessível de conteúdo digital acerca da doença”, explica Maria Clara Caetano.

Além do site https://www.infohansen.org/, o projeto estará disponível em um canal no YouTube e nas mídias sociais, como Facebook, Instagram e Twitter.

Equipe

A plataforma será coordenada pela professora do Departamento de Medicina Social do Centro de Ciências da Saúde (CCS) Patrícia Deps. Ela é médica dermatologista, com 30 anos de experiência na área de hanseníase e vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre a doença.

Além dos professores e alunos do curso de Medicina da Ufes, participam do Informa Hanseníase pesquisadores, médicos, dentistas, enfermeiros e outros profissionais da saúde. O projeto também tem parceria com várias instituições, entre elas a Secretaria de Saúde do Estado do Espírito Santo (Sesa), o Movimento pela Reintegração das Pessoas Afetadas pela Hanseníase (Morhan), a Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH), a organização holandesa infoNTD (Neglected Tropical Diseaes) e o Centro Internacional de Conhecimento de Recursos Informativos sobre a Hanseníase (Infolep).

A doença

Conforme informações divulgadas pelo projeto, a hanseníase é uma das doenças mais antigas do mundo. Sua antiguidade e história, no entanto, não tem sido suficiente para garantir que os acometidos por ela sejam acolhidos socialmente, sem preconceito ou discriminação, e possam seguir o curso da vida como um cidadão comum.

“Muitas pessoas ainda acreditam que essa doença não existe fora das histórias bíblicas. O desconhecimento sobre a hanseníase estende-se muito além da doença em si, envolvendo também, dentre outras coisas, o desconhecimento das medidas adotadas mundialmente para sua erradicação e para a inclusão social das pessoas afligidas pela hanseníase”, relata Maria Clara Caetano.

Em 2015, 211.973 pessoas foram diagnosticadas com hanseníase em mais de cem países, sendo a Índia, o Brasil e a Indonésia os três países com os maiores números de casos. 

Em 2016, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), definiu, segundo o projeto Informa Hanseníase, uma nova Estratégia Global da Hanseníase (2016-2020), que estabeleceu a aceleração das medidas para um mundo livre da enfermidade, baseando-se no fortalecimento das ações governamentais pelo incentivo das parcerias, da eliminação da doença e suas complicações, do combate à discriminação e da promoção da inclusão social.

“Sendo assim, ações de educação em saúde e educação médica precisam ser implementadas para que esses objetivos sejam alcançados”, conclui Maria Clara Caetano.

 

Texto: Jorge Medina
Edição: Thereza Marinho

 

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