Pesquisas investigam impactos da violência na saúde mental de mulheres e de pessoas LGBTQIAP+. Inscrições abertas

09/04/2026 - 15:16  •  Atualizado 09/04/2026 18:29
Texto: Adriana Damasceno     Edição: Thereza Marinho
Compartilhe
Imagem de duas mãos dadas usando pulseiras nas cores do arco-íris

Compreender como experiências de violência, preconceito e discriminação afetam o bem-estar e a saúde mental de mulheres e pessoas LGBTQIAP+ é o objetivo de três pesquisas desenvolvidas no âmbito do Grupo de Estudos e Práticas em Psicologia Positiva (GEPPsi+), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPGP/Ufes). Os estudos investigam fatores de risco e de proteção, além de estratégias de enfrentamento utilizadas por essa população, com o objetivo de ampliar o conhecimento científico sobre essas vivências e suas repercussões psicológicas.

As pesquisas são orientadas pela coordenadora do GEPPsi+, Valeschka Guerra, segundo a qual os estudos buscam integrar diferentes perspectivas da Psicologia para compreender esses fenômenos. “Com essas pesquisas, o grupo faz uma ponte entre a Psicologia Positiva e a Psicologia Social, estudando o impacto do preconceito, do estresse de minorias e das violências sofridas no bem-estar, na saúde mental e na qualidade de vida”, explica.

Enfrentamento do trauma

Uma das pesquisas, intitulada Crescimento pós-traumático de mulheres vítimas de violência sexual: sua relação com autocompaixão, coping e resiliência, é conduzida pela mestranda Júlia Salviano e investiga fatores de risco e proteção relacionados ao enfrentamento do trauma em mulheres que vivenciaram violência sexual. O estudo busca compreender o chamado crescimento pós-traumático, um processo pelo qual pessoas que passaram por experiências adversas podem desenvolver novas formas de lidar com o sofrimento (coping) e reconstruir aspectos de sua vida. A pesquisa também pretende reunir dados que permitam analisar de que forma esses elementos podem contribuir para processos de superação.

Mulheres com mais de 18 anos, que tenham ou não vivenciado violência sexual, podem participar respondendo ao formulário disponível neste link

Práticas de conversão 

Outro estudo de mestrado, intitulado Práticas de conversão sexual: processos de resiliência e o papel mediador do apoio social e da autocompaixão como fatores de proteção, é desenvolvido por Sâmella Germano e analisa experiências de pessoas LGBTQIAP+ que passaram por práticas como terapias, pressões religiosas ou punições familiares que tinham o objetivo de mudar a orientação sexual. A pesquisa busca compreender como essas pessoas lidaram com essas experiências e quais fatores contribuíram para processos de fortalecimento e superação. 

Além disso, o estudo compara esses resultados com os de pessoas LGBTQIAP+ que não passaram por esse tipo de tentativa, o que pode ampliar a compreensão sobre os efeitos dessas práticas e sobre possíveis estratégias de enfrentamento.

Maiores de 18 anos pertencentes a minorias sexuais (lésbicas, gays, bissexuais, pansexuais, assexuais ou qualquer outra orientação não heterossexual) podem participar da pesquisa por meio deste formulário.

Saúde mental

Já no estudo de iniciação científica, intitulado Vivências LGBTPQIAN+: estratégias de enfrentamento e saúde mental em população não assumida, a estudante de graduação Karoliny Kull investiga a relação entre saúde mental, estresse de minoria e estratégias de enfrentamento em pessoas LGBTQIAP+ que ainda não assumiram publicamente sua orientação sexual ou identidade de gênero. O objetivo é compreender como esse contexto pode impactar o bem-estar emocional, psicológico e social dessas pessoas, além de identificar as estratégias utilizadas para lidar com situações de estresse, preconceito e discriminação.

Os dados obtidos devem contribuir para o desenvolvimento de pesquisas mais sensíveis às realidades dessa população, bem como para a construção de estratégias de cuidado mais inclusivas. As pessoas interessadas em participar desse estudo podem acessar o formulário disponível neste link.

De acordo com a coordenadora Valeschka Guerra, os resultados das pesquisas também podem apoiar iniciativas voltadas ao cuidado psicológico desses grupos. “Com esse tipo de conteúdo, buscamos levantar informações para a organização de ofertas de grupos de apoio terapêutico para essas populações”, conclui.

Mais informações sobre as pesquisas podem ser obtidas pelo perfil do GEPPsi+ no Instagram.

Imagem: Freepik

Categorias relacionadas