Gregório Duvivier estrela comédia no Teatro Universitário em novembro. Ingressos já estão à venda

05/03/2026 - 14:30  •  Atualizado 05/03/2026 14:47
Texto: Leandro Reis, com informações da Secretaria de Cultura da Ufes     Edição: Thereza Marinho
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Cartaz de divulgação da peça

Com um público total de mais de 200 mil pessoas e apresentações em 33 cidades do Brasil e de Portugal, a comédia O Céu da Língua, estrelada por Gregório Duvivier, chega ao Teatro Universitário para quatro sessões, de 4 a 7 de novembro. Os ingressos já estão à venda na bilheteria do teatro, de terça a sexta, das 14 às 19 horas, e pelo site Sympla.

Escrito por Duvivier e Luciana Paes, que também assina a direção, o monólogo parte da premissa de que tropeçamos diariamente na poesia, mesmo sem reconhecê-la. “A poesia é uma fonte de humor involuntário, motivo de chacota”, afirma Duvivier, que publicou três livros sobre o gênero literário. “Escrevi uma peça que pode ajudar alguém a enxergar melhor o que os poetas querem dizer e, para isso, a gente precisa trocar os óculos de leitura”.  

Parceira do ator no espetáculo Portátil, Luciana Paes define o monólogo como “stand-up-comedy-pegadinha”, uma vez que a dramaturgia de Duvivier não deixa de ser poética, mas carrega elementos do humor de projetos como Porta dos Fundos.

“O Gregório simpático e engraçado está no palco ao lado do Gregório intelectual com seu fluxo de pensamento ininterrupto e imagino que, por isso, a plateia deve embarcar na proposta”, aposta a diretora. “Ele, graças aos seus recursos de ator, pega o público distraído e ninguém resiste quando é surpreendido por alguém apaixonado.”

Obsessão pela palavra

Obcecado pela palavra e pela comunicação verbal desde a infância, Duvivier utiliza sua paixão pela língua portuguesa para enriquecer O Céu da Língua. No monólogo, ele brinca com códigos, como aqueles que, em sua maioria, só são decifrados por pais e filhos ou casais de namorados. 

As reformas ortográficas, que tiram letras de circulação e derrubam acentos capazes de alterar o sentido das palavras, também inspiram o artista. O mesmo acontece quando ele comenta a ressurreição de palavras esquecidas, como “irado”, “sinistro” e “brutal”, que voltaram ressignificadas ao vocabulário dos jovens. E aquelas que, só de ouvi-las, geram sensações estranhas, a exemplo de afta, íngua, seborreia, ou outras, repetidas à exaustão, como “atravessamento”, “namorido” ou “almojanta”? Dessas, Duvivier também extrai humor.

Nesta cumplicidade com a plateia, o ator mostra gradativamente que a poesia não tem nada de hermética. A atuação em O Céu da Língua já rendeu a Duvivier o troféu de Melhor Ator na última edição do Prêmio Bibi Ferreira.

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