Cursar Arquivologia. Este era um sonho antigo da servidora pública Emília Gomes, 38, que teve que ser adiado devido aos cuidados com as filhas e a um relacionamento abusivo. Hoje, cerca de duas décadas após ter sido aprovada para o curso e não poder estudar, ela pode, enfim, dizer que é universitária. Nesta sexta-feira, 20, Emília e outras centenas de estudantes dos campi de Goiabeiras e Maruípe deram boas-vindas à academia durante o evento de acolhida aos ingressantes para o primeiro semestre letivo de 2026.
Realizado no Teatro Universitário, no campus de Goiabeiras, o evento contou com apresentação do violonista egresso da Ufes João Secchin, as boas-vindas do reitor Eustáquio de Castro e da vice-reitora Sonia Lopes, informações institucionais das pró-reitorias, lançamento oficial do Festival de Música da Ufes e um diálogo sobre o tema Sou Universitário, e agora?, conduzido pelo psicólogo da Pró-Reitoria de Bem-Estar Comunitário (Probem) Gabriel Monteiro. Ao final, houve sorteio de brindes.
Em seu discurso, o reitor ressaltou a missão da Reitoria, que cuida para que todas as estruturas funcionem, buscando junto aos órgãos responsáveis pela manutenção do ensino que os recursos venham e que políticas importantes para a Universidade sejam implementadas.
“Temos a honra de dizer, nas palavras do próprio ministro (da Educação), Camilo Santana, que a Ufes é uma das universidades mais bem administradas do país. Com todas as crises que as universidades passaram nos últimos anos, nós nos encontramos em uma situação financeira relativamente confortável, sem gastar muito, mas dentro daquilo que é permitido. Nos empenhamos para que vocês tenham o maior conforto possível e que tenham cursos de qualidade”, pontuou.
Já a vice-reitora lembrou que, embora pareça ser uma conquista individual, ingressar na Ufes é uma realização coletiva, fruto de um trabalho de gerações, na luta pela educação pública, laica e de qualidade. “Vivemos aqui o tempo todo defendendo a educação pública e a nossa Universidade, e a gente espera contar com todos vocês”, destacou.
A pró-reitora de Graduação, Regina Godinho, classificou o evento como primordial, não somente para receber o e a estudante e acolhê-los, mas por ser um momento em que eles conhecem o reitor, a vice-reitora e demais autoridades. "Assim, o estudante se sente pertencente à comunidade acadêmica, conhece os demais colegas e recebe informações importantes para este início de jornada acadêmica”, refletiu.
Expectativa
Emília Gomes conta que, em relação ao curso, as expectativas são as melhores possíveis, por poder fazer parte do momento de modernização da administração pública por meio do uso de tecnologias, o chamado "governo digital", que confere novas experiências aos profissionais da Arquivologia.
“No passado, priorizei minhas filhas, mas hoje elas estão crescidas e são moças valorosas que sabem o que querem da vida. Então, eu tive a oportunidade de recuperar esse tempo. Sempre vale a pena ter um diploma de uma universidade federal e eu tenho a sorte de estar ingressando no melhor curso de Arquivologia do país”, comemorou.
As amigas Letícia Carolina Reis e Mayza Garcia, ambas de 18 anos, também não escondiam a alegria com o ingresso no curso de Oceanografia. “Realmente, era uma formação que eu queria muito e consegui na primeira tentativa. Estou muito feliz e sou a primeira da minha família a entrar em uma universidade federal”, comemorou Mayza.
Fotos: Ana Oggioni
Universidade Federal do Espírito Santo