Viviane Mosé lota o Teatro Universitário em solenidade comemorativa aos 65 anos da Ufes

Cerca de 700 pessoas lotaram o Teatro Universitário na noite desta quinta-feira, 2, para participar da abertura solene das comemorações dos 65 anos da Ufes. A cerimônia teve início com a apresentação do grupo de trompetes da Faculdade de Música do Espírito Santo (Fames), formado por cinco músicos.

Na sequência, foi realizado o lançamento de um selo filatélico e um carimbo comemorativos com a logomarca dos 65 anos produzida pela Superintendência de Cultura e Comunicação da Ufes. A primeira obliteração (carimbo) do selo foi realizada pelo reitor Reinaldo Centoducatte, com a presença do superintendente Estadual de Operações dos Correios, Fábio Vieira César. O selo ficará sob posse da Ufes (não será vendido nas agências), podendo ser usado em correspondências oficiais enviadas pela Universidade, como presente para autoridades e para a composição de coleções filatélicas.

Entre as autoridades que participaram da solenidade estavam a vice-reitora Ethel Maciel; o presidente do Conselho de Curadores da Ufes, Ethereldes Gonçalves Júnior;  o deputado federal Helder Salomão; o reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e vice-presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), João Carlos Pires da Silva; a vice-governadora do Espírito Santo, Jaqueline Moraes; o procurador geral do estado, Rodrigo de Paula; a deputada estadual Iriny Lopes; o representante da Associação dos Docentes da Ufes (Adufes) Ricardo Beht; o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores da Ufes (Sintufes), Alcimar Fausto Correa; e o representante do Diretório Central dos Estudantes (DCE) Hilquias Crispim.

O reitor Reinaldo Centoducatte, anfitrião da noite, transmitiu uma mensagem positiva aos presentes e afirmou que o atual momento, em que são anunciados cortes nas verbas das universidades, será superado.

“É um momento que vivemos na conjuntura nacional, é um momento que nós vamos superar, nós vamos vencer. Conquistamos, ao longo dos anos, a democracia nesse país. Nós temos que ter a unidade em cima das lutas que são necessárias e essenciais para garantir as conquistas que já tivemos, garantir o Estado Democrático de Direito e garantir que as instituições brasileiras, como as universidades, que pertencem ao Estado e à sociedade, não sejam destruídas, desmanteladas".

Ele lembrou ainda que 65 anos de história é muito pouco para uma instituição milenar como são as universidades, mas que, neste pouco tempo, a Ufes já mostrou a que veio. “A contar pelo que esta universidade já produziu em apenas 65 anos, o que ela terá feito quando completar 100, 200 anos? Muito! Para contribuir não só com a formação de profissionais qualificados para servir à sociedade, com a produção de conhecimento, mas também com o relacionar-se cotidianamente com a sociedade na qual estamos inseridos. Esse é o nosso trabalho, esse é o nosso papel. Por isso, esse momento de comemoração dos 65 anos da nossa universidade é um motivo de felicidade e de orgulho”, destacou.

Viviane Mosé

Logo após, a filósofa, psicóloga, psicanalista e poetisa Viviane Mosé (graduada em Psicologia pela Ufes) iniciou a palestra A Educação Pública e a Sociedade em Rede: avanços e retrocessos.  Ao entrar no palco do Teatro, a palestrante convidada foi ovacionada pela plateia.  

Viviane propôs uma reflexão sobre o que é sociedade em rede e o que os abismos do mundo contemporâneo exigem. E enfatizou: “É de uma formação humana que estamos precisando, uma formação geral, ampla, e não apenas uma preparação para o mercado de trabalho. Foi exatamente isso que eu vivi nessa universidade, aprendendo a viver, aprendendo a existir, a ser humana, a ser ética, a ter respeito, a conviver”, afirmou. “Minha proposta é mostrar como uma sociedade em rede pode construir novos moldes de ação”, pontuou.

Durante a palestra, ela relatou sobre sua experiência na Ufes, quando ingressou aos 16 anos, incluindo a experiência de fazer política e participar de movimentos estudantis, com manifestações em favor do meio ambiente. Citando Michel Foucault, Nietzsche e Marx, Viviane abordou conceitos como poder, saber, exploração, liberdade, consciência, submissão intelectual e educação.

“A tecnologia hoje vai muito bem, em termos de agilidade e produtividade. Mas o humano vai mal. Portanto, qualquer escola hoje no mundo, da educação infantil à universidade, tem que ter como foco formar pessoas capazes de conviver, de pensar, de se relacionar. Teremos que dar novos formatos para uma sociedade em rede. Precisamos aprender a pensar e sentir por nós mesmos. Ou a humanidade para de agir como rebanho ou não teremos sociedade. Ou a escola nos estimula à autonomia e a uma ação cidadã no mundo , ou não haverá mais mundo”, ressaltou.

Após cerca de 1h30 de palestra, com o Teatro ainda lotado, Viviane encerrou sua fala recitando o poema de sua autoria Receita para Arrancar Poemas Presos.

Texto: Thereza Marinho
Foto: Jonathas Gomes (estagiário de Comunicação)

  

 

 

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