Quarta etapa do inquérito epidemiológico no ES indica aumento do contágio pelo novo coronavírus

29/06/2020 - 11:43  •  Atualizado 30/06/2020 19:13
Compartilhe

Os resultados da quarta e última etapa do inquérito epidemiológico realizado pelo Governo do Estado apontam para um aumento da prevalência de 7,36% para 9,61%, em comparação à terceira etapa. Os municípios da Grande Vitória, que concentravam a maior parte dos casos e já apresentavam 9,04% de prevalência na etapa anterior, tiveram um aumento para 11,51% de infectados na quarta etapa. Nos municípios do interior, a prevalência passou de 3,12% para 4,35%. 

Os resultados estatísticos da quarta etapa do inquérito, realizada entre os dias 22 e 24 de junho em 27 municípios capixabas, foram apresentados pela Secretaria de Estado da Saúde no último sábado, 27 de junho.

“Destacamos que, em todo o ES, houve um incremento de pessoas infectadas da primeira para a quarta etapa da ordem de 356,9% de casos positivos da COVID-19, perfazendo uma estimativa de população infectada de 386.193 habitantes”, analisa a professora do Departamento de Enfermagem da Ufes e membro do Núcleo Interinstitucional de Estudos Epidemiológicos (NIEE) Ethel Maciel.

Ela destaca que, quanto ao perfil das pessoas infectadas, cujo resultado do teste foi positivo, algumas características podem auxiliar na elaboração de políticas de saúde. “Foi identificada a prevalência da contaminação em pessoas com características como entre 21 a 40 anos, que se autodeclaram pretas e pardas,  morando com mais de cinco pessoas no domicílio, escolaridade até o ensino médio completo e usuárias do transporte coletivo com tempo de permanência superior a 30 minutos e mais de quatro vezes por semana”, descreve. 

Os resultados da quarta etapa do inquérito epidemiológico indicam ainda que, quanto aos principais sintomas, permanecem os distúrbios gustativos e olfativos, mialgias, fadiga e dor de garganta. Destaca-se ainda que 67,3% dos positivos não procuraram a unidade de saúde e 31% não tiveram nenhum sintoma. “Esse dado nos mostra que essas pessoas que tinham a doença e desconheciam sua condição podem ser importantes agentes transmissores da doença, e reforça a importância da estratégia do isolamento social para o maior número de pessoas”, alerta Ethel Maciel.