Estudo do MEC aponta que federais possuem os professores mais qualificados

Levantamento feito pelo Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos (Siape), do Ministério da Educação (MEC), em dezembro de 2017, mostrou que 78% dos docentes das universidades federais brasileiras possuem, pelo menos, um curso de doutorado.

“Ficamos felizes por, mais uma vez, os indicadores oficiais, nesse caso, sobre a titulação dos nossos docentes, atestarem a qualidade das universidades federais”, comentou o presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), reitor Emmanuel Tourinho.

Conforme explica o coordenador do Fórum Nacional de Pró-Reitores de Gestão de Pessoas das Universidades Federais (Forgepe), Maurício Viegas, o doutorado se concentra a formação de recursos humanos para o ensino em diferentes níveis e nas mais variadas áreas de conhecimento e expertise. “Também é nesse grau elevado acadêmico que a pesquisa chegará ao seu nível ótimo, nas suas peculiaridades de interação tecnológica e de inovação. Estes são os denotativos do papel fundamental que tem o doutorado no aprimoramento do trabalho docente e não só: o doutorado qualifica a atividade docente e aprimora os seus resultados”, disse.

A Universidade Federal do ABC (UFABC) tem 100% do corpo docente composto por doutores em suas áreas de atuação e ensino. Em seguida, vêm a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com 98% e 97% dos professores com doutorado, respectivamente. Na Ufes, o levantamento mais recente aponta que, dos 1.740 docentes ativos, 1.460 possuem doutorado.

Incentivo

A legislação que regula a realização de concursos públicos docentes privilegia a formação doutoral. Maurício Viegas explica que as regras internas das universidades também contêm esse dispositivo, incentivando, não apenas a formação integral (graduação, mestrado e doutorado) do docente, como a sua inteira disponibilidade de carga horária, a qual será empregada, além das ações de ensino, as demais atividades-fim universitárias: pesquisa, pós-graduação, formação de recursos humanos, tecnologia e inovação.

Ainda de acordo com o pró-reitor Maurício, as especializações contribuem para maximizar a capacidade intelectual dos integrantes da academia, capacitando-os e habilitando-os a contribuir efetivamente para os avanços científicos, tecnológicos, sociais e culturais que se espera da atividade universitária em suas várias manifestações e em sua interação com a sociedade.

De acordo com o reitor da UFABC, professor Klaus Capelle, é política da universidade contratar apenas docentes com doutorado, o que tem mantido o percentual de 100% de doutores no corpo docente efetivo. “Para o docente não é imprescindível, mas altamente desejável. A experiência de ter participado da produção de um elemento substancial de conhecimento novo (a pesquisa da tese de doutorado) muda significativamente a postura e atuação do profissional, inclusive na sala de aula”, acrescenta.

Qualidade

Para a reitora da Universidade Federal do Sul da Bahia, professora Joana Angélica Guimarães da Luz, a especialização dos professores tem relação com a qualidade do ensino superior público. “Por meio da especialização temos condições de aprofundar certos temas e ao mesmo tempo encontrar as interfaces destes com temas de outras áreas trabalhando assim de forma interdisciplinar aprofundando o conhecimento em diversos setores. Ao fazer isso temos como trabalhar a qualidade do ensino através da ampliação do conhecimento que cada professor terá ao se qualificar”, afirmou.

A reitora acrescenta que a qualificação faz com que os docentes possam buscar novas ferramentas e conceitos inovadores para tratar das diversas questões que envolvem o conhecimento, isso certamente tem uma relação direta com a qualidade do ensino. “Quando pensamos em instituições que se dedicam apenas ao ensino sem se preocupar com a qualificação do seu corpo docente vemos apenas uma repetição dos conceitos já consolidados sem nenhum questionamento acerca de novos olhares sobre os mesmos. Com a qualificação a busca pela postura crítica torna-se essencial”, explicou.

Segundo a professora Joana, a qualificação dos professores, normalmente, é reconhecida pelos estudantes, tanto em sala de aula, quanto nas atividades da extensão. “Eles têm essa percepção, até porque através de professores qualificados, vem a possibilidade de participar de projetos de pesquisa, como bolsistas de iniciação científica, voluntários, por exemplo, o que traz um grande aprendizado para os alunos no contato com o mundo da pesquisa, além, obviamente, da qualidade no ensino e na segurança em termos de conhecimento que esses docentes passam para os alunos”, lembrou.

No entanto, na avaliação dos reitores, a sociedade, em geral, ainda tem pouca percepção do impacto positivo que a qualificação dos professores do ensino superior público brasileiro tem no dia a dia e no desenvolvimento do País.

Para Maurício Viegas, nem sempre está clara a dimensão dos diferentes níveis de qualificação e especialização docentes para a sociedade. Ele acrescente que, ao mesmo tempo, ainda que essa dimensão não seja óbvia, os efeitos disseminadores de conhecimento nas mais amplas áreas são reconhecidos universalmente. “Isso se dá no reconhecimento da contribuição constante da formação especializada dos docentes – e de seu prolongamento na formação dada aos discentes – nos avanços científicos, tecnológicos, sociais e culturais de uma comunidade”, explica.

A professora Joana conta que, em nível regional, há certo reconhecimento. “Devido à qualificação do nosso corpo docente temos sido demandados pela sociedade para participar e levar contribuições para diversos problemas enfrentados pela região, que vão desde aspectos científico e tecnológico a questões sociais, envolvendo diversas organizações regionais”, finalizou.

 

Texto: Andifes
Edição: Thereza Marinho

 

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