Pesquisa sobre utilização de resíduos de vidros em concretos é premiada

O estudante do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil da Ufes Guilherme Cunha Guignone (na foto, ao centro) foi o ganhador do Prêmio Ecologia 2017 - Soluções e Inovações Ambientais,  na categoria "Pesquisa de Pós-Graduação". O Prêmio Ecologia é uma iniciativa do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama), com a participação do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) e da Agência Estadual de Recursos Hídricos  (Agerh).

Guilherme recebeu o prêmio pela pesquisa intitulada “Desempenho de concretos com a utilização de resíduos da lapidação de vidros como substitutos parciais ao cimento”, desenvolvida durante o seu curso de mestrado, sob a orientação da professora Geilma Lima Vieira. A solenidade de entrega do prêmio, que este ano teve como tema “Soluções e inovações ambientais”, ocorreu no dia 7 de dezembro, no Palácio Anchieta, em Vitória.

Os estudos têm por objetivo promover utilidade ao resíduo gerado no processo de lapidação e polimento de vidros planos, proveniente de um sistema de reaproveitamento de água adotado nesse processo. O resíduo foi então utilizado em concretos estruturais como substituto parcial ao cimento, porém este material final deveria apresentar benefícios em sua utilização.

“Assim, a pesquisa concluiu que este resíduo, com sua posterior secagem e moagem (em torno de 2 horas), possibilita a substituição de até 20% do cimento, conservando a resistência à compressão. Possibilita também a elevação da resistência à corrosão das armaduras do concreto, por ataque de íons cloretos, em até oito vezes, além de reduzir a ocorrência de outros mecanismos deletérios ao concreto como a reação álcali-agregado”, explicou Guilherme.

O pesquisador ressalta que, além de promover benefícios tecnológicos, a utilização de resíduos da lapidação do vidro em estruturas de concreto como substitutos parciais ao cimento promove benefícios ambientais, pois grande parte deste resíduo seria descartada no meio ambiente e sua incorporação em concretos proporcionaria redução de aterros e passivos provenientes da fabricação do cimento.

Guilherme acrescenta ainda que essa ação contribui para a redução da utilização de recursos naturais, da emissão de CO2 e do consumo energético em função da redução da utilização do cimento. “Tem-se ainda a elevação da vida útil de concretos, minimizando a degradação prematura das construções, elevando o tempo de utilização da edificação, evitando demolições, reparos e outras construções para o mesmo fim. Logo, o aproveitamento do resíduo de vidro oriundo do processo de lapidação de vidros tende a favorecer a execução de concretos de alto desempenho (gerando um produto final de maior qualidade) e a oferecer destinação ao resíduo”, diz.

Não há somente benefícios para o meio ambiente. “Há também impactos econômicos e sociais positivos. O primeiro é devido à economia na deposição do resíduo, da elevação de vida útil das construções e da redução de reparos e manutenções prematuras. Já os impactos positivos sociais estão relacionados às edificações em concreto armado mais seguras e duráveis e à redução de gastos públicos em manutenções prematuras em obras públicas executadas em concretos estruturais não resistentes a ambientes agressivos. Assim os recursos públicos podem ser direcionados também para outras áreas sensíveis aos anseios da coletividade”, conclui Guilherme.

Texto: Letícia Nassar

Edição: Ana Paula Vieira

Foto: Secom-ES

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