Ufes e Governo do Estado discutem ações de apoio a mulheres infectadas por zika

Representantes da Secretaria de Estado da Saúde e da Defensoria Pública Estadual participaram nesta segunda-feira, 31, de uma reunião com o secretário de Estado dos Direitos Humanos, Júlio Pompeu, e a vice-reitora Ethel Maciel para discutir ações que possam ser adotadas pelo Governo do Estado a fim de criar uma rede de apoio para mulheres de baixa renda que foram infectadas pelo vírus da zika e cujos filhos nasceram com síndromes relacionadas à doença.

A reunião foi realizada na Reitoria da Ufes e contou ainda com a presença das pesquisadoras Paula Freitas e Helaine Mocelin, do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, que atuam na pesquisa “Políticas públicas de saúde em situações de emergência: a epidemia de Zika vírus”.

“Nossa intenção é que a Secretaria de Direitos Humanos nos ajude na articulação de ações estaduais que possam amparar essas mães. Além disso, queremos estudar a viabilidade de criação de um incentivo social para beneficiar as crianças”, destaca a vice-reitora Ethel Maciel, que é uma das coordenadoras da pesquisa.

Violência

A proposta de criar uma rede de apoio para mulheres de baixa renda que foram infectadas pelo vírus da zika e cujos filhos nasceram com síndromes relacionadas à doença nasceu no Laboratório de Pesquisa sobre Violência Contra a Mulher no Espírito Santo, após a apresentação de dados coletados durante a pesquisa.

“Temos que entender a violência de uma forma ampla. Existe a violência física, sexual, moral, psicológica, verbal e também a violência institucional, motivada por desigualdades, que se formalizam e institucionalizam nas diferentes organizações privadas e aparelhos estatais. Essas mulheres sofrem violência duas vezes: quando estão expostas a esta doença por negligência do Estado e quando seus filhos têm seus direitos de assistência negados”, afirma Ethel Maciel.

A enfermeira e professora do Departamento de Ciências da Saúde do Centro Universitário Norte do Espírito Santo (Ceunes), Paula Freitas, que realizou 17 entrevistas com mães de crianças com microcefalia, moradoras da Grande Vitória, afirma que essas mulheres convivem com diversos tipos de carência, que vão de fraldas descartáveis a medicamentos e leites especiais.

“São mães que vivem para cuidar dos filhos, com longas jornadas de ida a médicos e centros de apoio. Muitas perdem o emprego por causa disso”, explica.

A pesquisa foi uma das 17 selecionadas na região da América Latina e Caribe para receber o apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). O objetivo é identificar soluções para o enfrentamento ao vírus responsável por causar distúrbios cerebrais congênitos quando mulheres grávidas são infectadas.

A intenção do laboratório é realizar em setembro uma audiência pública na Assembleia Legislativa para ouvir os depoimentos dessas mulheres e mobilizar os diversos setores sociais em torno do tema.

 

Texto: Thereza Marinho
Foto: Jorge Medina

 

 

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