Projeções apontam aceleração da curva de contágio por coronavírus: momento exige cautela

As projeções sobre a evolução da pandemia da COVID-19 no Espírito Santo apontam para uma aceleração da curva de contaminação até o dia 30 de maio, com aumento de internações e óbitos. “A taxa de contágio está aumentando, é preciso ficar atendo para que não saia do controle e o sistema de saúde entre em colapso”, afirma o professor do Departamento de Matemática da Ufes Etereldes Gonçalves Júnior. Ele é um dos integrantes do projeto Aplicação de modelos matemáticos no estudo de padrões e tendências da COVID-19 no Estado do Espírito Santo e conurbação da Grande Vitória, desenvolvido pelo Núcleo Interinstitucional de Estudos Epidemiológicos (NIEE), formado por pesquisadores da Ufes e do Instituto Jones dos Santos Neves, que, juntos, assessoram o Governo do Espírito Santo no combate ao novo coronavírus.

De acordo com a Nota Técnica nº 02/2020 do projeto (veja abaixo o documento na íntegra), “a epidemia ainda não está controlada e decisões que alterem padrões de interação podem impactar a estratégia de proteção de vidas, adotadas pelo governo”.

Projeções

Dois cenários foram traçados com base nos números registrados sobre a COVID-19 nas semanas de 26 de abril a 10 de maio e de 29 de abril a 13 de maio. No cenário 1, menos otimista, o Espírito Santo tende a computar entre 11.235 e 14.699 casos confirmados da doença no dia 30 de maio. No cenário 2, a tendência é que sejam de 7.895 a 10.574 casos.

O professor Gonçalves Júnior explica como são projetados os cenários: “Olhamos basicamente para a velocidade de crescimento da curva na semana anterior e nos quinze dias anteriores. Considerando que a curva cresce exponencialmente, temos a projeção de futuro”, explicou.

Na sua avaliação, “mesmo no cenário 2, que é ruim, a situação permanece sob controle. Mas, se for pior que isso, voltaremos à taxa de contágio do início da epidemia. Certamente não há sistema de saúde que dê conta”. Ele afirma que, atualmente, a taxa de contágio está em 2,19, o que significa que dez pessoas infectadas transmitem, em média, para outras 22 pessoas. “A taxa é o número de reprodução da infecção, está relacionada com a velocidade com que a curva de contágio cresce”.

Interação social X isolamento

De acordo com a nota técnica, “com medidas de mitigação [do contágio], o potencial de propagação da doença é alterado no tempo”. Segundo os cálculos, aumentar a interação entre as pessoas em 5% resulta num crescimento de, aproximadamente, 22% no número de hospitalizados num dia crítico. Já um aumento de 10% na interação social leva a um aumento de aproximadamente 48% no número de hospitalizados.

A nota ressalta ainda o crescimento da taxa de mortalidade por COVID-19 no Espírito Santo. Variou de 2,81% no dia 21 abril para 4,28% no dia 12 de maio. Na projeção de número de mortos, considerando o aumento da interação social em 10% e num cenário sem essa interação, e utilizando taxas de letalidade do Brasil e do Espírito Santo, os dados são alarmantes: “A comparação entre o melhor e o pior cenário da tabela gera uma diferença de 97,2% no número de mortos”, afirma a nota. 

Texto: Sueli de Freitas
Imagem: www.sboc.org.br

Edição: Thereza Marinho

 

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