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Professor da Ufes lança 'Uma leitura na chuva' nesta quarta, 5

A notícia de que um amigo se acidentou e está hospitalizado leva o advogado Alessandro a refazer o trajeto de Cachoeiro de Itapemirim a Vitória. Um retorno que, além do espaço, se dá também no tempo: Alessandro revisita seu passado de estudante universitário e revive os conflitos internos de um jovem de origem católica e conservadora diante da pluralidade de identidades e ideologias. Na outra ponta desse laço, está o amigo acidentado: Eduardo, escritor e homo-orientado. Afora os contrapontos já existentes, até então adormecidos pela distância do tempo, o retorno do advogado a Vitória dá início a uma profunda relação entre leitor e autor.

Esse é o ponto de partida para a narrativa de Uma leitura na chuva, que o escritor e professor do Departamento de Línguas e Letras e no Programa de Pós-Graduação em Letras da Ufes, Paulo Roberto Sodré, lança nesta quarta-feira, 5 de setembro, a partir das 19 horas, na Biblioteca Pública Estadual, em Vitória. Escrita entre 2011 e 2017, a obra foi contemplada, no ano passado, pelo edital de literatura da Secult-ES e publicada, com recursos do Funcultura, pela editora Cândida, dentro da série “Estação Capixaba” (14º volume).

A despeito de o livro ter sido contemplado na categoria romance, Sodré – que se considera fundamentalmente poeta – prefere chamar a obra de narrativa. Ele justifica: “Sobretudo atualmente, acho ocioso definir textos literários a partir de rótulos de gêneros, uma vez que estão demasiadamente híbridos e destituídos de fronteiras, o que é muito bom, já que garante liberdade de produção. Ao acionar um termo como ‘romance’, o escritor acaba gerando uma expectativa que cerceia ou delimita o que na verdade se deseja mais aberto, flexível ou indefinido. Nessa lógica, o termo narrativa é mais abarcador de diversas possibilidades de composição de um texto, porque pode transitar pelo romance, pela novela, pelo conto, pelo poema em prosa, pelo poema-romance”.

E é justamente esse o movimento de Sodré em seu processo criativo, em direção ao hibridismo e à experimentação, estruturando a obra em mise en abyme, termo francês para a técnica da narrativa dentro da narrativa. Narrado em terceira pessoa, o livro apresenta três partes e diversos capítulos de microrromances (ensaiados por Eduardo). Um “jogo inquietante”, com variados planos narrativos, desafiando o leitor, que se depara com “espelhos diante de espelhos em sequência infindável” – como o próprio personagem Eduardo afirma, em determinada passagem.

Trajetória

Paulo Sodré estreou em livro com Interiores (poesia, 1984). Em sua trajetória literária, que já soma mais de três décadas, publicou Interiores (1984), Ominho (1986), lhecídio: gravuras de sherazade na penúltima noite (1989), Dos olhos, das mãos, dos dentes (1992), De Ulisses a Telêmacos e outras epístolas (1998), Senhor Branco ou o indesejado das gentes (2006), Poemas de pó, poalha e poeira (2009), Guido, a folha e o capim (2010), Poemas desconcertantes seguidos de Senhor Branco ou o indesejado das gentes (2012), Poemas desconcertantes (edição eletrônica, 2017). Como ensaísta, é autor de Um trovador na berlinda: as cantigas de amigo de Nuno Fernandes Torneol (1998), Cantigas de madre galego-portuguesas: estudo de xéneros das cantigas líricas (2008) e O riso no jogo e o jogo no riso na sátira galego-portuguesa (2010).

Uma leitura na chuva, além de brincar com metalinguagem, procura desenhar a largos traços duas discussões antigas e sempre renovadas: por um lado, o dilema do escritor diante da (in)utilidade de seu trabalho artístico com as palavras e a representação do mundo ao seu redor, sobretudo numa sociedade destituída de uma cultura forte e contínua de incentivo à leitura e de compreensão do que seja e enseje o literário; por outro, o embaraço do leitor diante das representações ficcionais de um texto verbal artístico, em especial quando ele serve de referência à sua produção.

 Serviço:

Uma leitura na chuva
Paulo Roberto Sodré, Editora Cândida, 140 páginas
Valor: R$ 20,00
Lançamento: 5 de setembro, às 19 horas
Local: Biblioteca Pública Estadual (Av. João Batista Parra, 165, Enseada do Suá – Vitória)

 

Texto: Divulgação
Edição: Thereza Marinho

 

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