Laboratório de Pesquisa sobre Violência buscará apoio para vítimas da zika

Os problemas enfrentados por mulheres de baixa renda que foram infectadas pelo vírus da zika e cujos filhos nasceram com microcefalia serão abordados pelo Laboratório de Pesquisa sobre Violência Contra a Mulher no Espírito Santo. As ações terão como base o projeto de pesquisa “Políticas públicas de saúde em situações de emergência: a epidemia de Zika vírus”, coordenado pela professora do Departamento de Enfermagem e do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, Ethel Maciel, que também é vice-reitora da Universidade.

O objetivo do laboratório é buscar junto ao Poder Público a concretização de uma rede de apoio para essas mulheres, que convivem com diversos tipos de carência: medicamentos, leites especiais, fraldas descartáveis e cestas básicas.

“São mães que vivem em tempo integral para cuidar dos filhos, com longas jornadas de ida a médicos e centros de apoio”, explica a enfermeira e professora do Departamento de Ciências da Saúde do Centro Universitário Norte do Espírito Santo (Ceunes), Paula Freitas, que realizou 17 entrevistas com mães de crianças com microcefalia, moradoras da Grande Vitória, como parte do projeto.

A pesquisa “Políticas públicas de saúde em situações de emergência: a epidemia de Zika vírus” foi uma das 17 selecionadas na região da América Latina e Caribe para receber o apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). O objetivo é identificar soluções para o enfrentamento ao vírus responsável por causar distúrbios cerebrais congênitos quando mulheres grávidas são infectadas.

Apoio

Em reunião realizada nesta sexta-feira, 21, pesquisadores da Ufes e da Faculdade de Direito de Vitória (FDV), e representantes das secretarias de Estado de Justiça e da Segurança Pública, e da Defensoria Pública, discutiram formas de buscar apoio para estas mulheres.

A professora Ethel Maciel lembra que a Organização Mundial da Saúde (OMS) define a violência como o uso de força física ou poder, em ameaça ou na prática, contra si próprio, outra pessoa ou contra um grupo ou comunidade que resulte ou possa resultar em sofrimento, morte, dano psicológico, desenvolvimento prejudicado ou privação. Ela afirma que a zika se encaixa na violência de desenvolvimento prejudicado. 

“Temos que entender a violência de uma forma ampla. Existe a violência física, sexual, moral, psicológica, verbal e também a violência institucional, motivada por desigualdades, que se formalizam e institucionalizam nas diferentes organizações privadas e aparelhos estatais. Essas mulheres sofrem violência duas vezes: quando estão expostas a esta doença por negligência do Estado e quando seus filhos têm seus direitos de assistência negados”, afirma Ethel Maciel.

Ela destaca ainda que, após a fase da epidemia, pouco têm se falado sobre o assunto: “É como se o problema tivesse deixado de existir. Mas essas mulheres estão lutando diariamente para tentar dar o mínimo da assistência necessária aos seus filhos”.

Audiência

O Laboratório de Pesquisa sobre Violência Contra a Mulher no Espírito Santo foi uma iniciativa surgida no 11º Fórum de Políticas Públicas para a Mulher Vítima de Violência Doméstica e Familiar, realizado no início deste ano. Ele visa estudar os dados gerais sobre a violência contra mulher no Espírito Santo e está sediado na Ufes, sob a coordenação da professora do Departamento de Direito e membro da Comissão Permanente de Direitos Humanos da Universidade, Brunela Vincenzi. 

“Temos várias pesquisas sendo realizadas dentro das suas instituições. Queremos socializar esse conhecimento e, assim, encontrar melhores soluções para combater a violência contra mulher, destaca a coordenadora.” 

A intenção do laboratório é realizar em setembro uma audiência pública na Assembleia Legislativa para ouvir os depoimentos dessas mulheres e mobilizar os diversos setores sociais em torno do tema.

Texto e foto: Thereza Marinho

 

 

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