Setembro amarelo

Estudantes desenvolvem cadeira especial para colega participar de aulas de campo

Os estudantes do 3º período do curso de Geografia desenvolveram uma cadeira especial para que o colega Matheus Zatta Foratini possa participar das aulas de campo, muito comuns nas disciplinas do curso. Matheus é cadeirante e apresenta severas dificuldades de locomoção. Segundo os colegas, a ideia surgiu porque a cadeira de rodas convencional não permite a locomoção pelas trilhas onde as aulas são frequentemente ministradas.

O desafio de desenvolver a cadeira foi feito pelo professor Eberval Marchioro, dentro da disciplina Práticas Especiais de Ensino em Geomorfologia, cuja proposta é pensar alternativas para que alunos com necessidades especiais possam ser inseridos de forma plena em todas as atividades e facilitar a acessibilidade aos conteúdos das disciplinas do curso de Geografia.

Segundo a estudante Piettra Ramos, colega de turma de Matheus, eles começaram a procurar na internet modelos de cadeira que pudessem se adaptar às trilhas que eles percorrem nas atividades de campo. “Encontramos esse modelo que um marido desenvolveu para a esposa cadeirante fazer trilhas no Rio de Janeiro. Fizemos algumas adaptações e ver o resultado disso dando certo é muito especial. Matheus tinha uma expectativa de vida de apenas 18 anos. Ele já está com 20 anos e sempre quis fazer o curso de Geografia. Estamos todos muito felizes”, comemorou Pietra. “Desde pequeno eu gosto de Geografia. Estou gostando muito do curso e a minha relação com a turma é muito boa. A cadeira vai me ajudar muito a participar de todas as atividades”, disse Matheus.

Cadeira

A cadeira foi construída pelo pai do estudante, Jorge Thadeu Foratini, com a ajuda de um sobrinho, usando materiais recicláveis e doações feitas pelos colegas do curso. Jorge era caminhoneiro, mas deixou a profissão para se dedicar aos cuidados com o filho. Um grupo de estudantes da disciplina ministrada pelo professor Marchioro encontrou o modelo da cadeira na internet sendo vendida por cerca de R$ 5 mil. Com as doações e as adaptações, a cadeira feita para o Matheus foi construída com R$ 980.

A cadeira possui somente uma roda e tem uma série de recursos que permitem aos colegas autonomia na condução, como o sistema de frenagem similar ao da bicicleta; o encosto móvel, que permite a movimentação do tronco; e os ´descansadores´reguláveis, que permitem aos condutores deixarem a cadeira estática sem nenhum esforço. De acordo com o pai de Matheus, a cadeira ficará na Ufes para auxiliar outros estudantes que necessitem dela em suas atividades extraclasse. 

Matheus tem uma doença degenerativa chamada Distrofia Muscular de Duchenne, que vai paralisando os movimentos do corpo progressivamente. O professor Eberval Marchioro destaca a importância desta atividade para os estudantes. “Desenvolver estratégias para facilitar a aprendizagem e fazer a transposição didática dos conteúdos da Geomorfologia, responsável pelo estudo das formas superficiais de relevo, é fundamental para os estudantes. E não é somente para quem possui alguma necessidade especial. No ano passado, por exemplo, criamos histórias em quadrinhos para explicar Geomorfologia para alunos do ensino fundamental”, enfatizou Marchioro. Ele atualmente coordena o Laboratório de Monitoramento e Modelagem de Sistemas Ambientais, do Departamento de Geografia, que desenvolve pesquisas em Geomorfologia e Hidrologia.

A doença

Em seu site, o médico cancerologista Drauzio Varella explica que a Distrofia Muscular de Duchenne é uma doença genética de caráter recessivo, ligada ao cromossomo X, degenerativa e incapacitante. Só os meninos desenvolvem essa enfermidade, que se caracteriza pela ausência de uma proteína essencial para a integridade do músculo, que vai degenerando progressivamente.

O quadro vai se agravando até o comprometimento atingir toda a musculatura esquelética e surgirem problemas cardíacos e respiratórios. A grande esperança de tratamento para os portadores da distrofia de Duchenne está no potencial das células-tronco embrionárias para formar os tecidos necessários para substituir o músculo que está se degenerando.

Texto e foto: Hélio Marchioni

Edição: Ana Paula Vieira

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