Aglomerante à base de coco verde tem patente reconhecida nos EUA

O processo de produção de um aglomerante à base de casca de coco verde utilizado na indústria de minério de ferro já teve patente concedida nos Estados Unidos. Segundo o Instituto de Inovação Tecnológica (Init/Ufes), a patente aguarda o reconhecimento em mais de 20 países.

O aglomerante foi desenvolvido pelo Laboratório de Biotecnologia Aplicada ao Agronegócio, da Ufes, para ser utilizado no processo de pelotização do minério de ferro e surgiu por meio de uma parceria com a Vale. A empresa se interessou pelo conhecimento desenvolvido no Núcleo de Biotecnologia, que buscava agregar valor comercial aos resíduos da casca de coco verde.

“No Brasil é gerada uma quantidade enorme de casca de coco, o que é problemático, pois, quando esse resíduo começa a se deteriorar, produz materiais químicos danosos ao meio ambiente”, explica o diretor do Init/Ufes, Antonio Alberto Fernandes.

Inicialmente, o trabalho do Laboratório de Biotecnologia se desenvolveu no sentido de utilizar a biomassa da casca de coco verde para a produção do etanol, pesquisa que gerou uma patente, várias publicações e premiação internacional na área de inovação tecnológica.

Uma vantagem em relação às outras matérias-primas utilizadas normalmente para a produção desse combustível – cana-de-açúcar, beterraba e milho – é que estas seriam desviadas de sua função originária, que é servir de alimento para pessoas e animais, para a produção do combustível, enquanto o etanol desenvolvido pela Ufes é mais sustentável do ponto de vista ambiental.

O professor afirma que o objetivo é que um dia a própria indústria que gera a casca de coco seja retroalimentada pelo etanol produzido a partir da biomassa do resíduo dessa casca, criando um processo de produção autossustentável.

Proteção

O diretor do Init/Ufes explica que patentear a tecnologia fora do Brasil tem como objetivo resguardar sua utilização comercial. “Não existe o conceito de patente mundial. Em cada local em que aquele conhecimento tenha importância, quem o desenvolveu precisa solicitar sua patente para protegê-lo”, afirma Fernandes.

Texto: Nábila Corrêa
Edição: Thereza Marinho

 

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